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História



1 - NASCIMENTO E INFÂNCIA DE JACINTA
No dia 15 de outubro de 1715, festa de Santa Teresa, nascia na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro uma menina que recebeu na pia batismal o nome de Jacinta, filha de José Rodrigues Aires, natural da cidade do Porto em Portugal e Maria de Lemos Pereira, natural do Rio de Janeiro no Brasil.

Fala-se que a menina era pálida e bela. Desde muito cedo recebia educação religiosa. De noite escutava lendas e histórias de santos e de manhã acordava alegre para ir a Missa com seus pais. Carregava no pescoço um cordão com a imagem de Nossa Senhora que havia ganhado de sua mãe e dizia que com ele vivia sempre livre dos perigos e desgraças.

Entre muitas histórias de santos que ouvia, Jacinta se apegou a de Santa Teresa. Um dos motivos sem dúvida era o fato de ter nascido no dia da festa desta santa. Mas a santidade e a vida dedicada a Deus por Santa Teresa era o que mais a atraía. Jacinta suplicava a santa sempre que uma dor ou temor a incomodava.

Antes de atingir oito anos de idade, Jacinta ocupava os ouvidos dos padres para relatar visões que tinha de Nossa Senhora e outras vezes de Santa Teresa.  Alguns relatos se dão conta de que um dia, Jacinta quando voltava da escola caiu em um lago que havia perto da Igreja do Rosário. Logo invocou a proteção de Santa Teresa que a teria tirado do lago. Em outro relato, Jacinta se via caindo do antigo Morro de Santo Antônio quando foi salva pela santa de sua devoção. 

Os anos se passavam e a devoção de Jacinta aumentava. As visões também. Desde muito jovem, a menina passava longas horas em oração, jejum e penitência. Um pouco mais crescida, Jacinta desejou ingressar num convento, porém sua mãe foi contra.

As visões foram um marco na vida de Jacinta. Certa vez, ela viu Jesus aparecer curvado sob o peso da cruz e olhando com amor. Logo em seguida, tirou o lenho da cruz para descansar por alguns momentos sobre os ombros de Jacinta.

Aos quinze anos de idade, Jacinta sofreu um ataque nervoso, doença que a perseguia desde sua infância. Esse fato a deixou em completa insensibilidade como se estivesse morta. Ficou assim por dois dias. Todos já acreditavam em sua morte e já tomavam providências para o sepultamento quando ela acordou e voltou a si.

As visões de Jacinta e os fatos considerados por muitos como milagrosos já se espalhavam pela cidade do Rio de Janeiro e muitos já consideravam Jacinta como uma santa. Porém os médicos atribuíam essas visões a uma doença chamada catalepsia. A precariedade da época fazia com que nem os médicos nem a população afirmassem com certeza aquilo que Jacinta proclamava.

2 -VOCAÇÃO DE JACINTA E A CHÁCARA DA BICA

O desejo de ingressar num convento venceu a negação da mãe. Francisca, sua irmã, desejou seguir Jacinta em sua vocação. As duas irmãs se preparavam para embarcar rumo a Lisboa em Portugal para obter licença e escolher o convento para se recolherem, quando Jacinta sofreu uma grave queda que a deixou enferma. A viagem teve que ser suspensa.

Semanas depois, quando melhorou um pouco, Jacinta ia a Missa encostada no ombro de sua irmã Francisca na antiga Ermida de Nossa Senhora do Desterro onde habitavam religiosos capuchinhos. Um dia, voltando da Missa nessa ermida, passando pelo caminho de Matacavalos, que levava esse nome por ser uma estrada de terra e lama e passagem de carruagens e cargas carregadas por cavalos que frequentemente quebravam suas patas passando pelo terrível e sinuoso caminho e acabavam tendo que ser sacrificados, Jacinta notou uma antiga chácara denominada Bica. O lugar estava abandonado e possuía algumas casas simples de madeira que já se arruinavam. Porém o sítio era grande com muitas árvores e parecia muito solitário e silencioso. A chácara também ficava bem próxima da ermida do Desterro.

Jacinta se interessou pelo terreno e logo com a ajuda de seu tio materno, o capitão Manuel Pereira Ramos, comprou a chácara do então proprietário, o Tenente Coronel Domingos Rodrigues Távora que havia arrendado o terreno para exploração de pedras do Senhor Manuel Rodrigues Picanço. Era março de 1742 e foi paga a quantia de 2:100$000 ou um conto e cem mil réis pelo terreno.


Neyde Gomes relada em seu livro chamado de História dos assentamentos de terras em Santa Teresa que os limites da chácara da Bica eram compreendidos pelas do Curvelo, ladeira de Santa Teresa, Riachuelo até o número 89, limitando-se a partir desse número por uma linha reta deitada em direção à rua do Aqueduto da Lapa.

No dia seguinte da compra, Jacinta se mudou para a chácara. Era dia 25 de março. Jacinta mostrou para seu irmão José Gonçalves Aires que era Padre, um audacioso projeto, porém lhe confiou em segredo. No dia seguinte, Jacinta foi a Missa na ermida do Desterro, confessou e comungou. Voltou para a chácara e dando adeus aos lares paternos ali entrou em retiro. O único tesouro que trouxera foi uma imagem do Menino Deus. Na casa não havia nenhum oratório. Com a ajuda de seu irmão Padre José, improvisou junto a parede um altar provisório feito com umas varas e ornado com flores e ervas odoríferas que ela foi colher perto de uma fonte de água que havia na chácara. Foi nesse altar que Jacinta se ajoelhou perante a imagem e murmurou as primeiras orações naquele lugar.

Jacinta recomendou ao seu irmão que levasse seu abraço aos seus pais e que convidasse sua irmã Francisca caso quisesse viver com ela naquele retiro. Francisca não demorou ir ao encontro de sua irmã e logo foram enclausurar-se naquele lugar sagrado. Para isso, assumiram novos nomes: Jacinta de São José e Francisca de Jesus Maria.

3 - A ORIGEM DA CAPELA DO MENINO DEUS

Não demorou a que as irmãs conseguissem erguer um pequeno templo cujo padroeiro seria o Menino Jesus. Para isso, foi necessária a autorização do então Bispo do Rio de Janeiro, Dom Frei João da Cruz. Tal autorização foi concedida na data de 03 de abril de 1742. Jacinta e Francisca venderam algumas joias pessoais e com o dinheiro compraram a cal na Casa do Alcântara para iniciar a construção da capelinha.

Em 1741. Dom Frei João da Cruz tentou adiantar as obras do futuro Convento da Ajuda que ficaria localizado onde hoje fica o Largo da Cinelândia. O convento seria sob a Regra de Santa Clara. O Bispo convidou Jacinta para a fundação em 14 de maio 1742, mas ela já estava firme na sua vocação de seguir as regras de Santa Teresa e não cedeu ao convite.

Sob a direção pessoal de Jacinta, trabalhavam nas tardes e nas noites de luar. Jacinta levava as pedras nas costas. Francisca na cabeça e Padre José juntamente com seu irmão Sebastião eram ajudados por alguns escravos que carregavam em um carrinho de mão. De longe os curiosos observavam a façanha.

A notícia dos atos de Jacinta não demorou a chegar aos ouvidos do então Governador do Rio de Janeiro, Gomes Freire de Andrade, através do Padre jesuíta Luiz Tavares. Gomes Freire era um homem temente a Deus e ajudou a erguer muitas igrejas no Centro do Rio de Janeiro durante seu governo. Gomes Freire colaborou financeiramente e ajudou a arcar os custos da construção da Capela. As esmolas dos fiéis também ajudavam a financiar a construção do templo.

Joaquim Manuel de Macedo (1882) descreve assim no livro Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro:
                                                            
“A casa arruinada na chácara da Bica tinha se tornado o objeto mais vivo de interesse e veneração para os habitantes da cidade. Nela se asilaram as suas flores precursoras do Carmelo brasileiro. A fama de santidade daquelas duas mulheres faziam daquele velho e humilde teto, um recolhimento cheio de prestígio, santificado por orações  e aplaudido pelos anjos. Elas esqueciam o descanso e o sono, além da delicadeza do seu sexo e se levavam pelo ardente desejo de verem mais depressa acabada a sua capela”.

A Capela logo ficou pronta e no dia de São Silvestre e último do ano de 1743, o Cônego Doutoral Henrique Moreira de Carvalho benzeu a nova Igreja. No dia seguinte, em uma cerimônia solene foi celebrada a primeira Missa no local pelo carmelita descalço, Padre Frei Manoel Francisco. Padre Manoel foi trazido de Portugal pelo Bispo para acompanhar espiritual mente as irmãs. Francisca e Jacinta estavam vestidas de capas e saias pardas e um véu preto na cabeça. Na ocasião foi entronizada a imagem do orago: O Menino Deus. Jacinta colocou um postigo com um raio de folha do lado do Evangelho e sobre o presbitério e também um pano que impedia a vista, Ali, ela improvisou um confessionário.

Por duas vezes, o Bispo Dom Frei da Cruz as visitou na capelinha e rezou Missa. O Bispo observou a enorme pobreza do lugar e ofereceu duas imagens: uma de Nossa Senhora do Carmo e outra de São João da Cruz que ainda se encontram guardadas nos altares do Convento de Santa Teresa.

Jacinta e Francisca viviam no fundo da chácara em um pequeno quarto e muito simples. Só se comunicavam através de uma pequena janela que estava sempre tampada por um véu. Seus irmãos que também se entregaram a vocação religiosa também viviam com elas só que em outro quarto e com mais liberdade.

4 - OS PRIMEIROS ANOS DA CAPELINHA
Em 1745, o Bispo Dom João da Cruz renunciou ao bispado para regressar a Lisboa. A notícia entristeceu muito Jacinta, pois tinha nele uma grande confiança e apoio a sua causa de se tornar uma carmelita. Poucos dias antes de regressar a Portugal, Dom João da Cruz visitou a capelinha e celebrou Missa pela última vez. E animou Jacinta a continuar perseverante na busca por sua vontade, pois um dia Deus a recompensaria. Conta-se que as irmãs choraram muito nessa despedida. A partida do Bispo atrasou de certa forma as pretensões de Jacinta.

Outro duro golpe foi a morte de seu diretor espiritual em setembro do mesmo ano, o Padre Manoel Francisco que teve seu corpo sepultado na Igreja do Carmo da Antiga Sé.

A tristeza da partida de dois grandes amigos transformou-se em alegria quando em 15 de março de 1748, Rosa de Jesus Maria se juntou às irmãs no recolhimento do Menino Deus. Após sua chegada, outras mulheres a acompanharam: Ana de Santo Agostinho, Maria de Santa Teresa e Ana de Jesus. Logo essas mulheres reconheceram Jacinta como sua superiora.

5 - A MORTE DE FRANCISCA

Francisca foi golpeada de uma grave enfermidade. Contraiu tuberculose pulmonar que a matou no dia 13 de julho de 1748 com apenas vinte e oito anos de idade. Foram inúmeras as histórias contadas nos seus últimos dias de vida e primeiros de morte. Conta-se que uma vez, as irmãs estavam ao lado da Capela e Jacinta pegou algumas pedrinhas no chão e deu para Francisca e lhe falou para plantar que daria coentro. Francisca semeou as pedras e tempos depois colheu coentro. Jacinta então pergunta se não percebeu que lhe dera pedras e Francisca responde que sim, mas creu que se tivesse fé Deus lhe daria o coentro.

Antes de morrer, porém, Francisca teve a alegria de ver mais um irmão seu ordenado: o Padre Sebastião e José Gonçalves. Padre Antônio Nunes, seu confessor assim descreve Francisca:

“Sua vida era de muita pureza de consciência, de coração muito singelo e de espírito muito liberto e recatado, alegre e mortificada, sem fingimentos nem beatices exteriores, muito sofredora, pacífica e humilde, sem apego e obediente, caridosa e dada a oração e muita solidez em seu exercícios religiosos. Era muito trabalhadora apesar se freqüentes queixas de dores temporais”.

Conta-se que após sua morte, seu corpo perdeu a rigidez cadavérica e por dois dias se conservou incorrupto. O povo ia em multidão ver. Os religiosos próximos da Ordem Terceira de São Francisco entusiasmados com os relatos sobre Jacinta e sua irmã, foram até a Capela do Menino Deus oferecer lugar em sua Igreja. Fato que Jacinta negou, pois queria ter sua irmã sempre perto de si.

O corpo de Francisca de Jesus Maria foi sepultado, por desejo de Jacinta, na Capela do Menino Deus.

6 - JACINTA RECEBE NOVAS COMPANHEIRAS

A intercessão de Francisca no céu culminou para o ingresso de novas mulheres. Juntaram-se à Jacinta e as outras quatro mulheres que já estavam lá:  Inácia Catarina de Jesus, Isabel do Sacramento, Felipa de Santa Teresa, Maria da Encarnação (irmã do Bispo de Coimbra, Dom Francisco de Lemos de Farias Pereira Coutinho), Ana do Sacramento, Ana de São Francisco, Maria da Conceição, Maria do calvário e Antônia de Jesus. Este aumento considerável de mulheres obrigou Jacinta a redistribuir e organizar novas celas conforme os ensinamentos de Santa Teresa. Só faltava a ereção canônica da nova comunidade, mas isso ainda causaria um longo calvário a Jacinta.

Eram mais de dez mulheres perseverantes e dedicadas que celebravam na capela que Jacinta e seus irmãos construíram os exercícios da religião, as festas de Natal, Santa Teresa com matinas que contava com a presença constante de Gomes Freire.

Com a chegada de tantas mulheres, Jacinta percebeu a grande dificuldade que teria para manter o local com mais despesas e manutenções. Então Jacinta foi procurar o Governador Gomes Freire cheia de esperança que a ajudasse mais uma vez. Gomes Freire, atendendo as súplicas de Jacinta foi visitar a chácara. Ele ficou muito admirado com a vida, tranquilidade e dignidade que aquelas mulheres viviam e prometeu que arcaria com a construção de um grande convento para que pudessem viver com mais conforto suas vocações.

A primeira providência de Gomes Freire foi levar o novo Bispo do Rio de Janeiro Dom Frei Antônio do Desterro para conhecer a Capela do Menino Deus e as mulheres que a zelavam. O Bispo logo se impressionou com o que viu e concedeu uma bênção, ainda que sem nenhuma formalidade canônica. Para essa bênção Jacinta e suas companheiras vestiram um hábito simples e ficaram descalças. O Governador e o Bispo tiveram que se sentar no degrau da porta por não haver nem uma cadeira para descansarem. Dom Frei Antônio do Desterro sugeriu que elas seguissem a Ordem de Santa Clara tornando-se Clarissas devido às características climáticas do Brasil inviabilizar as práticas da Regra de Santa Teresa. Mas Jacinta resistia bravamente e sonhava um dia ser uma carmelita como foi Santa Teresa.

7 - CONSTRUÇÃO DO CONVENTO DE SANTA TERESA

 Poucos sabem, mas apesar do Convento ser de Santa Teresa, a igreja é dedicada a Nossa Senhora do Desterro. Como já foi citado anteriormente, Jacinta voltava da Missa na Ermida do Desterro quando avistou a chácara da Bica. O Convento de Santa Teresa foi construído justamente nessa ermida. Por isso continuou-se a devoção à Virgem do Desterro.
Conta-se que Gomes Freire queria erguer o convento na própria chácara da Bica, porém mudou de ideia. Naquele tempo, era comum construírem igrejas no alto dos morros. No Rio de Janeiro, havia vários exemplos na época, tais como: o Convento de Santo Antônio, Outeiro da Glória, Igreja da Penha, Mosteiro de São Bento. Foi Jacinta também que teria escolhido o local dizendo que se não fosse na chácara da Bica que fosse ao alto do Desterro para que olhasse de lá a capela que levantou com as próprias mãos.

Naquela época, as Igrejas no alto dos morros tinham a características de serem construídas de frente para o mar, mas o Convento das carmelitas fugiu a tradição. Conta-se também que Jacinta foi quem determinou a direção de seu convento. Para erguer o templo, nada melhor do que o melhor mestre de obras da época que era o Alpoim.

Em junho de 1750 foi lançada a pedra fundamental do convento. Com a bênção do Bispo e presença do Governador e do Senado, Jacinta e suas companheiras estiveram presentes. De noite, na Igreja da Lapa, foi oferecido um jantar às donzelas por Gomes Freire. Após o término, elas regressaram para a Capela do Menino Deus.

Começava aí a despedida de Jacinta da Capela do Menino Deus e da chácara da Bica. Um ano demorou para que o convento ficasse pronto. Era o dia 24 de junho de 1751 quando Jacinta assistiu Missa e comungou pela última vez na Capelinha. Conta-se que Jacinta ficou muito triste por ter que deixar aquele lugar para sempre.

8 - O SONHO DE JACINTA E A DESPEDIDA DE SEU PROTETOR

Em 1751, Jacinta ambicionou ainda mais a ideia de que o novo convento fosse de Santa Teresa. A autorização do Papa Bento XIV era bem clara de que no convento seria praticada as Regras de Santa Clara. O Bispo do Rio de Janeiro também não apoiava a ideia de ser de Santa Teresa. Por isso, Jacinta embarcou para Lisboa em novembro de 1753 em companhia de seu irmão o Padre Sebastião e do Padre Antonio Nunes, seu confessor, para suplicar a proteção do Rei de Portugal, Dom José I que intercedeu a causa junto ao Papa.

Jacinta voltou de Portugal em abril de 1756 após conseguir autorização do Rei que se mostrou piedoso com as clemências de Jacinta. Mas nem isso fez com que o Bispo mudasse de ideia. Dom Antônio do Desterro passou por cima da decisão da Santa Sé e do Governo Real e entrou em conflito com Jacinta. Jacinta por sua vez poderia ter recorrido a Roma, mas não fez por ser obediente ao seu Bispo mesmo indo contra sua vontade.

Os anos se passaram e em 01 de janeiro de 1763 morria Gomes Freire de Andrade. Seu corpo foi sepultado no presbitério da Igreja do Convento. Na tampa, nenhuma inscrição foi feita em virtude de um pedido do próprio Gomes Freire que morreu sem ver Jacinta professar os votos na regra de Santa Teresa. Hoje, o Governador Gomes Freire tem seu nome dado a uma rua próxima a Capela Menino Deus em homenagem aos seus feitos em favor da Capela Menino Deus e do Convento de Santa Teresa.

Gomes Freire foi um dos maiores responsáveis pela construção da Capela do Menino Deus e do Convento de Santa Teresa. Era um homem em que Jacinta colocava sem temer sua confiança e por isso merece o nosso reconhecimento.

9 - A MORTE DE JACINTA

Era 02 de outubro de 1768 quando no meio de suas companheiras, Jacinta partiu para junto do Pai. Jacinta morreu sem professar a regra da santa de sua devoção. Antes, porém, Jacinta já tinha deixado o futuro de suas companheiras encaminhadas. Nomeou Maria da Encarnação para lhe suceder no comando do convento e insistiu para que aquelas mulheres seguissem na luta de um dia conseguir seguir as regras de Santa Teresa em terras cariocas.

Uma multidão de fiéis correram e ficaram em vigília na grade do Convento de Santa Teresa quando souberam da partida de Jacinta.

Isso não é a história de uma mulher. É a lenda de uma santa. Jacinta nunca foi carmelita descalça, mas foi a verdadeira fundadora do Carmelo no Brasil. Seu corpo foi sepultado ao lado do túmulo de Gomes Freire e repousa lá até os dias atuais.

10 - NASCEM AS PRIMEIRAS CARMELITAS DESCALÇAS DO BRASIL

Dom Frei Antônio do Desterro foi visitar o convento após doze anos e reafirmou a Maria da Encarnação que não concederia a autorização pretendida em vida por Jacinta. O Bispo morreu em 05 de dezembro de 1777 sem abrir mão de sua postura no caso de Jacinta.

A morte do Bispo foi um marco para o futuro das carmelitas no Brasil. Seu substituto, Dom José Joaquim Justiniano Mascarenhas Castelo Branco comprou a causa de Jacinta e executou o Breve do Papa Bento XIV e do Governo Real sob a governança da Rainha D. Maria I que em 11 de outubro de 1777, confirmou a licença dada por seu pai as religiosas reclusas. Em 16 de julho de 1780, o Bispo declarou clausura canônica da casa. No dia seguinte impôs o hábito da reforma carmelita e lhes abriu o noviciado.

No dia de São Sebastião do ano de 1781, tiveram as noviças de recolher-se no Convento da Ajuda por três dias. No dia 23 do mesmo mês, saíram em procissão rumo ao Morro do Desterro. Tomadas por véu, as mulheres eram acompanhas pelo povo essencialmente religioso na época que com olhares caridosos as observavam. No céu, Jacinta devia estar satisfeita com seu desejo sendo realizado.

            Naquela mesma semana, uma grande cerimônia solene presidida pelo Bispo Dom José, as companheiras de Jacinta fizeram seus votos e professaram oficialmente a Regra de Santa Teresa perante os olhares da multidão que foi testemunhar o ocorrido. A partir daí, o Morro do Desterro começou a se chamar de Santa Teresa e Jacinta enfim, repousou em paz.

11 - CHAFARIZ DA MATACAVALOS: A FONTE DO MENINO DEUS

Em 1772, o senado da Câmara mandava construir, em nome do Vice-Rei Marquês do Lavradio, um chafariz que ficava na Chácara da Bica e bem ao lado da Capela do Menino Deus, no caminho do Matacavalos. Era também conhecido como a fonte do Menino Deus por ficar próxima a Capela de mesmo nome.

Encarregou-se da construção do Chafariz João Coelho Marinho, mestre pedreiro.
Sobre um mármore do pequeno chafariz foi talhada a seguinte inscrição:

CIVIS AQUAM BIBE: LAVRADI MARCHIO DONAT ILLE PATER PATRIAE. QUAE SITIS ERGO TIBI?
FLUMINENSIS – SENATUS 1772

Esta inscrição significa:

O SENADO CONVIDA O POVO A BEBER, POIS O MARQUÊS DO LAVRADIO, O PAI DA PÁTRIA, DÁ POR SUA CONTA A ÁGUA.
SENADO FLUMINENSE 1772

Em 5 de março de 1782, sendo inúmeras reclamações dos moradores sobre a escassez de água que vinha da fonte, começou um intenso conflito entre os proprietários do local de onde vinha a água e os encarregados de realizarem as obras. O chafariz então foi desativado e foi construído um novo chafariz próximo na própria Matacavalos e próximo a esquina da Rua André Cavalcanti em 1817. Esse chafariz existe até hoje, apesar de seu estado de abandono.
           
O chafariz da Fonte do Menino Deus ainda chegou a ser reconstruído em 1868, porém em março de 1890, por iniciativa da Inspetoria Geral de Obras Públicas, o antigo chafariz foi demolido por se julgar inútil ao abastecimento de água da região.

A água que abastecia esse chafariz vinha da fonte da Bica, aumentada com a da Carioca, que partia do Curvelo. Em 1939 no livro escrito por M. Corrêa chamado de Fontes e Chafarizes do Rio de Janeiro, menciona que da fonte da chácara da Bica só existiam filetes, pois com as construções de prédios que se espalharam pelos terrenos vizinhos, a fonte desaguava na rua, fazendo com que o encarregado da Capela canalizasse para o esgoto a sua água. Só se via no fundo do terreno um muro de pedra que chorava perenemente uma única lembrança da lendária fonte.

Com isso, o chafariz desapareceu por completo, até a lápide. E ninguém sabe do seu destino.

12 - CAPELA DO MENINO DEUS: DA SIMPLICIDADE AO ABANDONO

Após a mudança das irmãs para o Convento em junho de 1751, a história da Capela do Menino Deus abre uma imensa lacuna. Não foram encontrados indícios de quem ficou zelando pela Capela. O que se sabe é que continuaram os exercícios religiosos e que grandes personalidades da época a frequentavam, pois o bairro naquela época era habitado por pessoas ligadas ao governo e outras muito influentes na sociedade.

Novamente Joaquim Manuel de Macedo relata em seu livro como era a Capela. Provavelmente a descrição é anterior a 1870:

“Esta Capela existe até hoje na Matacavalos entre as ruas do Lavradio e Inválidos. Se quiserdes visita-la entrareis por um simples portão e um pátio de triste aspecto. No fim do portão achareis uma varanda que não menos triste vos parecerá. Da varanda passareis à Capela de limitadíssimas proporções. Vereis sobre o presbitério dois velhos postigos e sobre o altar a imagem santa do Menino Deus. Por trás do altar e do lado do Evangelho existe uma portinha baixa e estreita que se abre para a sacristia pequenina e acanhada como o corredor de uma casa humilde.

Não gastareis em vossa visita mais de dez minutos, e voltareis desagradavelmente impressionados pela pobreza ou quase miséria em que se deixa e pela ruína que a ameaça e que nos ameaça de perder nela, além de um puro e sagrado seio de orações, um teto histórico e recomendável por suavíssimas recordações e por um passado cheio de mística poesia.

A Capela do Menino Deus parece condenada por uma fatal indiferença e nem lhe vale o sentimento religioso que a deveria defender. Preza os céus que estas palavras consigam despertar o zelo que dorme e fazer com que apareçam católicos dedicados que auxiliem os últimos devotos que ainda não abandonaram aquele humilde, mas sagrado teto.

A Capela do Menino Deus nunca chegou a ser o jardim do Carmelo brasileiro. Mas foi ali que nasceu e foi acariciada, cultivada e fortalecida a ideia da fundação do primeiro convento de carmelitas descalças no Brasil. Ali passaram oito anos duas irmãs em solidão completa e sem saudades do mundo. “

Antes, porém de cair nesse estado de completo abandono e ruína, a Capela do Menino Deus foi muito frequentada. Ficava situada em território da freguesia de Santo Antônio dos Pobres. Frequentavam a capelinha as mais distintas famílias que habitavam as melhores chácaras da região e entoavam cantos no mês mariano.

Cito algumas dessas notáveis personalidades que freqüentavam a capelinha do Menino Deus: Marquês de Olinda; ex-regente do império; Marquês de Sapucaí; Visconde de Jaguari; Barão do Lavradio; Conselheiro Ferreira França; Conselheiro Joaquim José de Sequeira, de renome como chefe de polícia que fora; o famoso cirurgião Cristóvão José dos Santos; Conselheiros Josino do Nascimento e Silva, Albino Barbosa, Paiva Teixeira, D. Francisco Baltasar da Silveira, Caminhoá e Bandeira de Melo; Dr. Luís de Castro, redator chefe do Jornal do Comércio; Barão do Rio Doce, testador da escola deste nome; Dr. Joaquim Caetano da Silva, grande erudito das questões de limites da Guiana Francesa; Barão de Bambuí, o folhetinista; Dr. França Júnior; D. Antonio de Saldanha da Gama; Dr. D. Francisco de Assis Mascarenhas; Senador Francisco José Furtado; Dr. Carlos Honório de Figueiredo; Dr. Fábio de Carvalho Reis; Comendador Cândido de Carvalho e Sousa,; Câmara Lima; João Diogo Hartley; Desembargador Luís Fortunato de Brito, advogado de nomeada; Marquês de Valença; Barão de Pereira Franco; Machado de Assis, grande escritor; entre muitos outros.

Diz a história que Machado de Assis ao sair de uma Missa de Natal na Capela do Menino Deus compôs um Soneto de Natal que transcrevo a seguir:

Um homem,era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno,
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga.

Quis transportar ao verso doce e ameno,
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.

Escolheu o soneto... A folfa branca,
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode o gesto seu.

E em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
"mudaria o Natal ou mudei eu?"

Nos arquivos genealógicos encontrados no site CBG descrevem um casamento na capelinha em meados do século XIX:

Maria Amália Nascentes de Azambuja nascida a 27/01/1808, No Rio de Janeiro (Santa Rita), e falecida a 23/06/1890, em Petrópolis no Rio de Janeiro. Era zeladora das Servas do Senhor. Filha do Tenente-Coronel Manuel Teodoro de Araújo e Azambuja e de Maria Rita Nascentes Pinto. Casada a 03/05/1830 na Capela do Menino Deus na Matacavalos, Rio de Janeiro, com o Diplomata Pedro Carvalho de Morais, nascido a 03/06/1809, no Rio de Janeiro (Copacabana) e falecido a 31/12/1860 em Bruxelas na Bélgica. Pedro é descendente de família de povoadores da cidade do Rio de Janeiro no século XVI.
                                                                            
Em outro site chamado Genealogia Brasileira encontramos outro registro:

Francisco Muratori, filho de José Muratori e Teresa Lucci Muratori, de São João Baptista de Palermo, casou no altar da Capela do Menino Deus, a 24/04/1856, com D. Maria Teresa Ferreira de Almeida, filha de José de Almeida Silva Porto e D. Teresa Ferreira de Almeida, de São José.

Era um comércio estreito de relações, as mais fraternas e sinceras entre as famílias daquela região. Sobressaíam os que habitavam nas ruas do Riachuelo, Resende, Inválidos, Senado, Lavradio, Silva Manuel e Arcos. Toda essa gente freqüentava a capelinha do Menino Deus.


Não se sabe, porém, quando a Paróquia de Santo Antônio dos Pobres se tornou responsável pela Capela do Menino Deus, mas foi provavelmente no ano de 1854.

13 - CAPELA DO MENINO DEUS: DO ABANDONO A RUÍNA

Vários textos indicam que no ano de 1877, a Capela do Menino Deus se encontrava completamente abandonada e em ruína. Não se sabe quando, mas as irmãs de Santa Teresa mandaram recolher a imagem do Menino Deus e algumas relíquias da igreja. Em 1900 tentaram reconstruí-la. Para essa época há um importante relato. A revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) publicou em março de 1985, uma transcrição do periódico A Notícia (1902):

“Tomei a deliberação, nas vésperas de Natal, de visitar a Capela do Menino Deus na Rua do Riachuelo. Não a encontrei mais, foi demolida. No mesmo local, porém, estão a levantar outra, diferente no risco e no feito. Segundo me informaram, não mudarão de padroeiro.

Doa antigo muro da frente do terreno, que precedia a capelinha avarandada, ainda está de pé uma parte, mas será todo arrasado para vir outro, com gradil, provavelmente engraxado com uma tinta plúmbea conhecida como alumínio.

Da primitiva Capela vi apenas pequenos trechos de parede, de onde arrancaram brutalmente interessantes azulejos azuis que outrora compunham a graciosa barra. Tão curiosa construção de 1742, foi abandonada, deixaram que se arruinasse. Que custaria repô-la com idêntico aspecto da primitiva, logo que se restabelecesse o culto no mesmo local?

Sei que a construção antiga não primava por disciplina arquitetural, porém teve como origem num acontecimento de piedade cristã refletida na antiga ermida, pitoresco, que jamais dará a nova Capela, cuja fachada se acha a meio caminho. Perdeu a capelinha a sua qualidade fundamental de documento ou prova autêntica de seu próprio passado.

Nem tão intolerante sou para os tomaram a si a nova capela em construção. Encontraram arruinadíssima a antiga casinha de oração, e provavelmente, depois de consultas, resolveu demolir e planejar outra capela. Não daria para construir outro tempo maior que este, devido a pequenez do terreno.

A nova capela em execução pouco mais ficará da antiga a qual que por mais arruinada que estivesse não seria impossível de refazê-la. Seu aspecto, de extrema simplicidade, traduzia o sentimento religioso do retiro, que o fora de duas piedosas mulheres, as fundadoras da ermida.

A igrejinha depois de concluída terá janelas orgivais e outras linhas da arquitetura gótica. Ao procederem as escavações para a edificação da nova capela, encontraram-se ossos humanos, que, depois de colocados em caixão apropriado, voltaram a ser enterrados, por ordem da atual irmandade. Seriam restos mortais da piedosa Francisca?”

Como se observa, o autor do relato cita alguns pontos ainda sem resposta. O primeiro seria uma Irmandade da Imaculada Conceição que assinou o compromisso de zelar pelo local em 1900. Outro seria a questão dos restos mortais encontrados. Quanto a Irmandade não se sabe quando desapareceu. Quanto aos restos mortais podem e devem ser realmente de Francisca, pois é relatado que seu corpo foi sepultado no local. O mistério que permanece é de qual seria o local exato.

Outra dúvida seria quanto às características da antiga capela. A descrição da mesma é muito parecida com a nova Capela. Igreja avarandada, a descrição da Sacristia. É óbvio que houve muitas alterações, mas talvez não sejam tantas quanto se imagina. O fato é que não temos nenhuma foto ou imagem que retrate a antiga Capela.

14 - RECONSTRUÇÃO E REABERTURA DA CAPELA
De 1900 a 1925, foram anos de ruína completa e abandono total. A Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP) precisando de uma sede para se instalar no Rio de Janeiro, com a autorização da Madre do Convento de Santa Teresa reconstruiu o antigo templo e em 06 de janeiro de 1925 saíram em procissão do convento até a nova Capela a imagem do Menino Deus, o cálice, os sinos da antiga Capela e outras relíquias do tempo de Jacinta e Francisca. Ao sair do convento a imagem do Menino Deus, as freiras entoaram um canto em seu louvor:

ADEUS SAGRADO MENINO,
REI DO NOSSO CORAÇÃO.
ADEUS MONARCA DIVINO,
SENHOR DE TODA CRIAÇÃO!

Depois dessa data, o culto religioso foi restabelecido na nova Capela e desde então permanece até os dias atuais.

As festas de Natal no Centro do Rio de Janeiro eram marcadas com grande pompa, procissão e Missas solenes na Capelinha do Menino Jesus. Um texto retirado de um site, descreve assim o Natal na Capela:

“As egrejas mais concorridas eram S. Francisco de Paula, Misericordia, S. José, Carmo, a Cathedral, Sancto Antonio, São Bento e Ajuda, e em tempos anteriores a capelIa do Menino Deus, em MatacavalIos, cuja historia poetica é contada em muitas paginas pelo Balthazar Lisboa.

Na Rua de Matacavallos, a Capella do Menino Deus agremiava inúmeras famílias que, desde as Ave-Maria, a frequentavam.

Emquanto, já por cerca das dez ou onze horas, essas scenas se passavam, levas de gente seguiam pelo largo do Rocio, em direitura à rua dos Ciganos, que se ostentava brilhante, atravessada por cordas enfiadas de bandeiras, illuminada, coberta de folhas, e animada pela música que ticava em um coreto.

Gyrandolas animadas subiam ao ar, e o povo, com chapéos e bengalas, desviavam as flechas que sibilavam cahindo.”

Não se sabe o que sobrou da antiga Capela ou suas relíquias. Não temos esse fato gravado em nenhum lugar. A maioria do seu patrimônio sabe-se que é da época da reconstrução na década de 1920. Talvez tenhamos lembranças da época de Jacinta e Francisca enterradas neste terreno sagrado ou escondidas entre as paredes da nova Capela. Talvez nunca saibamos.

15 - A CAPELA DO MENINO DEUS NO SÉCULO XXI

A Capela do Menino Deus atualmente é zelada pela Sociedade de São Vicente de Paulo, aliás deste a sua reconstrução.  Se considerarmos a primeira construção, a Capela é a mais antiga da Rua do Riachuelo. A Capela é vinculada à Paróquia de Santo Antônio dos Pobres e pertence à Segunda Forania do Vicariato Episcopal Urbano da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. A sua fachada é caracterizada pelo seu estilo neo clássico tardio com cores rosa e branca. No início da década de 1990 foi construído o prédio ao lado da Capela pertencente à SSVP. Abaixo da Capela, existe um salão onde há reuniões para diversos fins. Passando pelo primeiro portão, subimos uma pequena escada que leva a varanda da Capela de onde tem uma boa visão da Rua do Riachuelo. Depois, passando pela grande porta principal toda de madeira entramos na Capela que tem um pequeno coro de madeira ao fundo. No chão vemos simples e belos azulejos. Quanto ao teto, uma tonalidade azul que parece o céu. As paredes são simplesmente branca com quatorze pequenos quadros que representam a via sacra. Há um presbitério pequeno com uma elevação e coberto por um carpete vermelho. Nas suas laterais há duas credências. O sacrário é tímido, mas de grande suntuosidade.  O altar é todo de madeira e dentro dele está a imagem do Senhor Morto. Ao lado esquerdo do altar está a Relíquia de São Vicente de Paulo, posta lá em 11 de fevereiro de 2007. Na relíquia há um pequeno quadro com um coração pintado com o sangue do próprio São Vicente de Paulo. Do lado direito do altar há uma pequena porta que leva a Sacristia e ao lugar onde o Sacerdote se prepara para as celebrações. Hoje a Capela possui ar condicionado, além de duas câmeras de vigilância que a monitoram o tempo todo.  Nas paredes, ao lado esquerdo de quem entra, as imagens de São Sebastião, São José, São Vicente de Paulo e Santo Antônio dos Pobres. Nos lados do presbitério a imagem de Nossa Senhora da Imaculada Conceição e do Sagrado Coração de Jesus. E na parede, ao lado direito de quem entra, as imagens de Nossa Senhora de Fátima e Santa Teresa. No altar principal a imagem de Nossa Senhora Aparecida e logo atrás a imagem do Menino Deus segurando uma circunferência tendo a cruz em seu topo e a outra mão em posição de bênção. Acredita-se ser a mesma imagem que Jacinta carregava para dentro da Chácara da Bica em 1742.

16 – ÚLTIMOS SACERDOTES

Padre Eduardo Henrique Braga (Desde março de 2011)
Carioca, Padre Eduardo assumiu nossa Paróquia de Santo Antônio dos Pobres em março de 2011 após anos de estudo de Filosofia e Teologia em Roma. Consequentemente, assumiu também a Capela do Menino Deus onde desde então é o Capelão.

Padre Sérgio Marcos Sá Ferreira (2009 a 2011)
Carioca, Padre Sérgio assumiu a Paróquia de Santo Antônio dos Pobres em janeiro de 2007. A Capela do Menino Deus só assumiu em 2009. Padre Sérgio era Capelão do Corpo de Bombeiros e dava assistência no Quartel Central no Campo de Santana. Foi transferido pelo Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, para a Paróquia de São Sebastião em Parada de Lucas.

Padre George Toufik Khoury (2005 a 2009)
Sírio, de sotaque inconfundível, era Pároco da Igreja do Rito Melquita de São Basílio na Rua República do Líbano. Assumiu a Capela do Menino Deus em 2005 após o convite da Paróquia de Santo Antônio onde ajudava o Padre Abdias na época. Saiu da Capela em 2009 para se dedicar melhor à sua Paróquia e aos estudos.
Padre José Malenga (2002 a 2005)
Angolano, Padre Malenga chegou na Capela em 2002 à convite de seu antecessor, Padre Pio que estudava juntos na mesma faculdade e já se conheciam antes. Padre Malenga também ajudava na Igreja de Nossa Senhora da Salette no Catumbi. Saiu da Capela em 2005 para voltar para sua terra natal de Angola.

Padre Geraldo Pio (1996 a 2002)
Mineiro, Padre Pio assumiu a Capela do Menino Deus em 1996 após convite dos Padres João e Carlos, seus antecessores. Capelão da Aeronáutica, Padre Pio foi transferido para Belém do Pará e com isso deixou a Capela em 2002.

Padres João, Carlos, Elisiário e Raimundo (1989 a 1996)
Com exceção do Padre Raimundo, os outros eram Capelão da Marinha e davam assistência à Capela do Menino Deus em sistema de rodízio. Após alguns anos, tiveram a necessidade de se afastar da Capela por causa de seus serviços militares. A primeira foto que segue é do Padre Raimundo e a outra é do Padre Elisiário.

17 – CURIOSIDADES

Em 30 de dezembro de 1992 foi publicado o decreto 11883 que torna a Igreja um bem preservado através da APAC Cruz Vermelha. Com isso, deve-se manter a fachada, telhado e volumetria e alterações internas só podem ser realizadas desde que se integrem aos elementos arquitetônicos preservados.

Na primeira metade do século XXI, provavelmente em 2000, a Capela passou por uma grande reforma. No interior, um rodapé de cor marrom foi pintado de cinza e alguns detalhes da igreja que tinham cor creme foram também substituídos pela cor cinza. As credências azuis foram pintadas de branca. Uma faixa dourada rodeando toda a parede também foi colocada nesta época. A pequena imagem do Senhor Morto que antes ficava na última janela mais ao fundo foi removida para uma urna aberta na parede ao lado do presbitério abaixo da imagem do Sagrado Coração de Jesus. Pretendiam remover o piso da Igreja e as primeiras fileiras do piso original que se encontravam danificados até foram substituídos por azulejos brancos e maiores, mas logo pararam. Na varanda, azulejos brancos foram instalados no chão antes sem vida. A escadaria ganhou acabamento de pedras de mármore branco. É dessa época a última reforma do salão da Igreja e dos bancos.

Em 2007, a Igreja passou por outra reforma. A Imagem do Senhor Morto foi transferida para abaixo do altar principal e em seu antigo lugar foi colocada a Relíquia de São Vicente de Paulo que é um pequeno quadro que conta ser a pintado com o sangue do próprio São Vicente. Sua fachada foi reformada e uma tinta cor alumínio que decorava a porta e as grades de ferro e o corrimão da escada de baixo foi substituída pela cor branca e o arco de entrada, todo em pedra, teve também a tinta que o cobria removida. Foi nesse ano que todas as imagens passaram por uma completa restauração. Os pequenos bancos de madeira também são dessa época. O ambão de madeira que lá está veio da Igreja de Santo Antônio dos Pobres e foi reformado nessa época.

Em janeiro de 2008, as fileiras de piso na frente do presbitério foram trocados por uma réplica do piso original, sendo retirados os azulejos brancos instalados anos antes e que descaracterizavam o templo. Na mesma época foi instalado um ar-condicionado e com isso uma porta de vidro também foi colocada na entrada principal. Ao lado da imagem do Menino Deus no altar foi instalado duas placas de vidro.

Em 2009 foram colocadas duas câmeras de vigilância. Uma dentro e a outra fora da Igreja. Em 2010, foi realizada manutenção na imagem do Menino Deus. Em 2012, as âmbulas foram restauradas.

Entre as muitas atividades exercidas na pequena Igreja, podemos falar do Grupo de Oração criado em 1997. A Pastoral do Dízimo surgiu em 2004. A Pastoral da Comunicação surgiu em 2010. A Catequese sempre existiu, porém ficou sem ser dada no local de 2008 a 2010, voltando em 2011. Coroinhas e Ministros Extraordinários da Eucaristia que não tinham na década de 1990 passaram a ter na década seguinte. A distribuição de cestas básicas para famílias mais necessitadas que residem na região subiu de 20 na década de 1990 para 45 na década seguinte. O Grupo Jovem voltou em 2012. Há reuniões semanais de Neuróticos e Alcoólicos Anônimos e diversos grupos vicentinos se reúnem no local.

Em 2011, a Igreja voltou a ter a Missa do Galo no dia 24 de dezembro. Há décadas não tinha. Em 2012, a Igreja abriu todos os dias da Semana Santa para orações e confissões. Há décadas não abria nesses dias. Em alguns anos, a Igreja ficava fechada no mês de janeiro, para férias do sacerdote e funcionários. A tendência, a partir de 2012, é ficar aberta.

REFERÊNCIAS

·        O Rio de Janeiro: sua historia, monumentos, homens notáveis, usos e curiosidades – Autor: Dr. Moreira de Azevedo – Volume 1 – 1877
·        Terra Carioca – Fontes e Chafarizes – Autor: M. Correa – Volume 4 – 1939
·        Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro – Autor: Joaquim Manuel de Macedo – Senado Federal – Vol. 42 – 2005
·        Revista do IHGB – nº 346 – 1985
·        Pantheon Fluminese – Autor: Lery Santos – 1880
.      Laurinda Santos Lobo: Mecenas, artistas e outros marginais em Santa Teresa – Autora: Hilda Machado – 2002
·     Chronica Geral e Minunciosa do Imperio do Brazil – Autor: Dr. Mello Moraes – 1879
·       Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – nº 10 – 1946                   
.     Algo do meu velho Rio – Autor: Augusto Maurício – 1966
.     www.carmelo.com.br
.     Acervo da Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP)

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