quinta-feira, 25 de julho de 2013

Festa da Acolhida ao Papa atrai 1,5 milhão de pessoas

“Inesquecível Festa de Acolhida em Copacabana! Que Deus lhes abençoe a todos!” , escreveu o Papa Francisco em seu Twitter, no início da manhã desta sexta-feira, 26 de julho. E durante a noite, o Pontífice voltou, junto com milhões de peregrinos, a viver momentos de emoção e espiritualidade com a Via Sacra – um dos Atos Centrais da Jornada Mundial de Juventude (JMJ Rio2013) –, na Praia Fidei, como já está sendo batizada pelos peregrinos a Praia de Copacabana. 
Sempre com um sorriso no rosto, Papa Francisco percorreu toda a orla de papamóvel e enquanto passava, além de beijar e abençoar muitas crianças, também recebeu muitos presentes: bandeiras, terços, imagens de santos, blusas, entre outras coisas, que, durante o percurso, foram sendo jogadas pelos peregrinos dentro do carro oficial do Papa. Ao longo do trajeto, o Sumo Pontífice também desceu do papamóvel algumas vezes para abençoar e estar em contato mais próximo com todos os filhos de Deus que ali foram vivenciar um grande momento de fé.
Recepcionado pela Orquestra Sinfônica de Barra Mansa e pela cantora católica Ziza Fernandes, ao chegar ao palco central, Papa Francisco fez questão de cumprimentar todos os Cardeais que já o aguardavam para o início do momento de fé, amor e compaixão. Com uma linguagem das artes de várias épocas, abrangendo principalmente a arte contemporânea, a “Via-Sacra do Jovem Solidário”, como foi intitulada, teve 14 estações, sendo 13 encenadas ao longo do canteiro central da Avenida Atlântica e, a última, no palco.
Os temas abordados foram: “jovem missionário”, “jovem convertido”, “jovem de comunidade de recuperação”, “jovem falando em nome das mães”, “seminarista”, “religiosa que luta pela vida (contra o aborto)”, “casal de namorados”, “jovem falando pelas mulheres que sofrem”, “estudante cadeirante”, “jovem das redes sociais”, “presidiário ou jovem da pastoral penal”, “jovem com doença terminal”, “jovem deficiente auditivo” e “jovens da África, América do Norte, da América Latina e do Caribe, da Europa, da Ásia e da Oceania” — em um cenário que remontou a cidade antiga de Jerusalém, com um percurso usado nas procissões do século XVI.
— Quando nós recordamos o martírio que Cristo viveu fazemos uma retrospectiva de tudo o que vivenciamos na nossa vida pessoal e familiar. Qual seria a nossa Via Crucis de hoje? O que estamos passando hoje? Esta Via Sacra foi também uma forma de meditar como estamos vivendo em comunidade, em família, dentro da nossa Igreja, e como é bonita a nossa Igreja Católica, disse a jovem Edmar Rodrigues, da Paróquia Nossa Senhora do Amparo, que desde às 8h45min da manhã já aguardava o início da Via Sacra, na Praia de Copacabana.
— A Via Sacra é uma parte que nos toca grandiosamente porque a gente vivência o sofrimento de Jesus. E a Jornada é isso: é catequese, é comunicação, é fazer novas amizades, é meditar o que Jesus Cristo viveu e sentiu por todos nós, afirmou Renan Silveira, de Tacuru, no Rio Grande do Sul.
Após a encenação da Via Sacra, Papa Francisco destacou que este foi um dos momentos mais fortes da Jornada Mundial da Juventude, pois todos puderam acompanhar Jesus no seu caminho de dor e de amor, junto da Cruz, deixando aos jovens ainda alguns questionamentos.
— No final do Ano Santo da Redenção, o Bem-aventurado João Paulo II quis confiar a Cruz a vocês, jovens, dizendo-lhes: “Levai-a pelo mundo, como sinal do amor de Jesus pela humanidade e anunciai a todos que só em Cristo morto e ressuscitado há salvação e redenção”. A partir de então a Cruz percorreu todos os continentes e atravessou os mais variados mundos da existência humana, ficando quase que impregnada com as situações de vida de tantos jovens que a viram e carregaram. Ninguém pode tocar a Cruz de Jesus sem deixar algo de si mesmo nela e sem trazer algo da Cruz de Jesus para sua própria vida. Nesta tarde, acompanhando o Senhor, queria que ressoassem três perguntas nos seus corações: O que vocês terão deixado na Cruz, queridos jovens brasileiros, nestes dois anos em que ela atravessou seu imenso país? E o que terá deixado a Cruz de Jesus em cada um de vocês? E, finalmente, o que esta Cruz ensina para a nossa vida?, questionou o Santo Padre.
Concluindo seu discurso, o Pontífice exortou:
— Queridos jovens, levamos as nossas alegrias, os nossos sofrimentos, os nossos fracassos para a Cruz de Cristo; encontraremos um coração aberto que nos compreende, perdoa, ama e pede para levar este mesmo amor para a nossa vida, para amar cada irmão e irmã com este mesmo amor, orientou Papa Francisco.

Peregrinos chegam cedo à praia para garantir lugar
Ainda eram 9 horas e a praia de Copacabana já estava recheada de bandeiras de diversos países. Com uma manhã de sol tímido em meio a tantas manhãs chuvosas, os peregrinos aproveitaram para passear pela orla. Mas outros preferiram garantir um espaço junto à grade de proteção para ver o Santo Padre. Desde cedo alguns grupos já se formavam. Muitos não se conheciam, mas partilhavam lanches e histórias de como chegaram ao Rio de Janeiro para esta Jornada. Assim fizeram a família Marchioro Cruz, de São José dos Piais, no Paraná e a caravana da Igreja Nossa Senhora do Amparo, do Rio de Janeiro.

Isabele Marchioto Cruz está em sua primeira Jornada. Ela e a família saíram do Paraná e chegaram ao Rio na terça feira passada. Optaram por virem sozinhos porque o grupo da paróquia em que frequentam em São José dos Piais só viria depois. Isabele ressaltou a importância da meditação da Via Sacra e comentou a sua expectativa para as apresentações das estações da Via Sacra.

A meditação da Via Sacra é um mistério da nossa fé porque a nossa fé, a fé cristã, a fé católica, nasce do sofrimento e depois da ressurreição de Cristo. Outro ponto importante da Via Sacra é a meditação do sofrimento de Cristo,  os seus algoses... Desta forma aprendemos a administrar melhor os nossos sofrimentos e viver em Deus, sofrer na fé aquilo que estamos passando. Minha expectativa para hoje é poder enraizar ainda mais a minha fé e conhecer melhor o sofrimetnto de Cristo para que eu possa então viver os meus  sofrimentos na fé, disse.
Já Edimar Rodrigues, da Paróquia Nossa Senhora do Amparo, questionou: "Qual seria a nossa Via Crucis de hoje?"
- Hoje vamos estar diante do martírio que Cristo vivenciou. Quando meditamos sobre isso fazemos uma retrospectiva de tudo o que vivenciamos na nossa vida familiar, pessoal, no trabalho.  Qual seria a nossa Via Crucis de hoje? O que estamos passando hoje? Essa é uma forma também de meditarmos como estamos vivendo em comunidade, em família, dentro da nossa Igreja, de uma forma geral, opinou.
Mais à frente um grupo do Mato Grosso do Sul pendurava bandeiras e cartazes na grade para que o Santo Padre visse quando passasse por eles. O grupo está hospedado no bairro de Santíssimo e sairam de lá às 4h 30min. Eles são da cidade de Tacuru e frequentam a Paróquia Saõa Sebastião. Para virem à Jornada, encararam uma viagem de trinta horas, além de um ônibus enguiçado. Mas nada tirou a animação dos meninos, que estavam ansiosos para ter este contato com o Papa Francisco. 

- O que deixa a gente mais felizes é que a gente sabe que a presença do Papa, o Sucessor de Pedro estará aqui, entre nós, então isso deixa os nossos corações ainda mais cheios de alegria. É uma realização e uma emoção muito grande, afirmou Renan Silveira.
Já Lidimaico Vieira destacou o que representa, para ele, a Via Sacra:

-  É uma parte que nos toca gradandiosamente porque a gente vivencia o sofrimento de Jesus, porque, por mais que isso aqui seja uma Jornada Mundial da Juventude, nós já estamos batalhando a tempos para podermos vir ao Rio de Janeiro, esta foi a nossa Via Sacra pessoal. E a Jornada é isto: é comunicação, é poder participar das catequeses, fazer novas amizades, é participar da meditação da Via Sacra e perceber que tudo isso é o que Cristo sentiu por nós, concluiu.

* Foto: Comunicação JMJ Rio2013

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