quarta-feira, 24 de julho de 2013

Papa Francisco inaugura pavilhão do Hospital São Francisco


Após cumprir sua agenda oficial na cidade de Aparecida do Norte, Papa Francisco regressou ao Rio de Janeiro e seguiu até o Hospital São Francisco de Assis (HSF), na Usina, para a inauguração de um pavilhão dedicado ao atendimento de dependentes químicos. A solenidade no Hospital foi realizada na noite desta quarta-feira, 24 de julho.
Desde cedo moradores da região da Grande Tijuca já estavam nas ruas, ansiosos pela chegada do Pontífice. Devido ao mal tempo, não foi possível realizar o percurso até o HSF de Papa Móvel, porém, mesmo em carro fechado, o Santo Padre esbanjou sua simpatia, permanecendo com os vidros abertos, apesar do frio, acenando constantemente para os fiéis.
Às 18h19min, Papa Francisco chegou ao Hospital São Francisco de Assis. O primeiro momento foi de oração dentro capela, na companhia do Arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta. Logo em seguida o Santo Padre se dirigiu à praça interna do Hospital, onde foi realizada a cerimônia. Mais uma vez Papa Francisco cumprimentou os que estavam pelo caminho: enfermos, deficientes, crianças e membros do hospital receberam a benção do Pontífice que fez questão de atendê-los com carinho.
Um grupo de adolescentes especiais vindos da Argentina entregou ao Papa Francisco uma caricatura do Pontífice e uma relíquia de Santa Cabrini. Eles estão hospedados no Colégio Regina Celi, próximo ao Hospital, e estavam na rua aguardando a passagem do Santo Padre desde o meio dia. Os adolescentes estudam no colégio Madre Cabrini, na cidade de Rosário, que possui uma ala dedicada a crianças especiais. Avistados por um membro da guarda do Vaticano, os adolescentes e as duas diretoras do colégio, Mônica Cano e Claudia Grappa, foram convidados a entrarem no Hospital para participar da solenidade.
- Viemos ver o Papa no Brasil e queremos pedir ao Papa que ele olhe por nós e também pelos nossos amigos, pediu Manoel Costello, de 14 anos
Quem também conseguiu presentear o Santo Padre foi o grupo Doutores da Paz e do Bem, formado por jovens da comunidade Aliança de Misericórdia, que caracterizados de palhaços, fazem a alegria dos enfermos no Hospital São Francisco de Assis. Eles entregaram ao Papa Francisco uma cruz feita de argila. Leidimar Rodrigues testemunhou a sua experiência de contato com o Pontífice:
- Foi muito emocionante porque eu estava com o presente e não sabia como entregar devido à segurança do Papa. Então, fiquei bem próximo à grade e pedi a uma cadeirante para que ela entregasse o presente ao Papa. Quando ele passou por esta senhora, ele pegou o presente e perguntou quem tinha dado. Neste momento a senhora cadeirante olhou para mim e o Papa estendeu a mão na minha direção para agradecer. Ele é a presença de Deus no meio da gente. Não tem explicação. Acho que o despojamento do Papa Francisco de querer ter esse contato com os fiéis é muito bonito, afirmou. 
Trabalho com Dependentes
O Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, acolheu o Sumo Pontífice com um discurso iniciado por um trecho do Documento de Aparecida, ao qual o então cardeal Bergoglio foi relator em 2007.
- Estas palavras do Documento de Aparecida tornam-se realidade no dia-a-dia das atividades deste hospital, sem dúvida uma obra de misericórdia e de promoção da dignidade de cada mulher e cada homem, assinalou.
Um dos legados sociais da Jornada Mundial da Juventude, o Pólo de Atendimento Integral à Saúde Mental consiste em uma rede de atendimento aos dependentes, reforçando a promoção de resultados efetivos para o tratamento e a inserção do social. A atenção com os excluídos também é uma das preocupações do Papa Francisco. Durante o seu discurso, o Pontífice criticou a legalização das drogas e classificou o tráfico como uma “chaga” que semeia a dor:
- Abraçar. Precisamos todos de aprender a abraçar quem passa necessidade, como São Francisco. Há tantas situações no Brasil e no mundo que reclamam atenção, cuidado, amor, como a luta contra a dependência química. Frequentemente, porém, nas nossas sociedades, o que prevalece é o egoísmo. São tantos os “mercadores de morte” que seguem a lógica do poder e do dinheiro a todo o custo! A chaga do tráfico de drogas, que favorece a violência e que semeia a dor e a morte, exige da inteira sociedade um ato de coragem, afirmou.
O trabalho no hospital estará voltado não apenas com a atenção médica, mas buscará um tratamento completo, integrando os aspectos transcendente e religioso. Este será um ganho importante para a cidade do Rio de Janeiro, onde vivem mais de 600 mil dependentes químicos e apenas 20 leitos disponíveis para atendimento . O Brasil tem dois milhões de dependentes químicos, sendo 50% na região Sudeste.O coordenador do legado social da JMJ Rio2013, padre Manuel Manangão, explicou o projeto da Rede de Tratamento da Dependência Química da Arquidiocese.
- A Missão da Rede é contribuir para o desenvolvimento de ação transformadora das condições de vida de pessoas em situação de dependência química, por meio de trabalho articulado e complementar das instituições da Arquidiocese e parceiros, oferecendo oportunidade de acolhimento, tratamento de dependência química, acesso a direitos assim como promover a capacitação de agentes de prevenção e, integração com as políticas públicas.
Um dos momentos mais emocionantes foi o depoimento de dois jovens recuperados de sua dependência química em instituições católicas.
- Sei, pelo sofrimento e humilhação que passei, o quanto é importante que bons samaritanos e outros franciscos se compadeçam de nós, afirmou um deles que viveu 17 anos sob o vício das drogas e 10 deles como morador de rua. Sob as lágrimas dos jovens recuperados, Papa Francisco os abraçou fraternalmente.
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