quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Cristo Redentor completa 80 anos abençoando o Rio de Janeiro


Às vésperas da comemoração pelos seus 80 anos de existência, o Cristo Redentor — ícone-maior do Rio de Janeiro e do Brasil e uma das sete novas maravilhas do mundo moderno — ganhou de presente do prefeito Eduardo Paes o seu tombamento definitivo. A medida, publicada na última segunda-feira, 10 de outubro, visa à preservação deste bem que está vinculado à paisagem cultural da cidade e que tem grande valor artístico.

O Decreto exalta a importância da contribuição da população carioca que, entre 1921 e 1931 — ano da inauguração do Monumento — enfrentou “os desafios da técnica, da estética, das intempéries, dos custos, da política, do sítio e do tempo”, produzindo o “Monumento que é o mais perfeito ícone brasileiro”, (...) que “reúne características que permitem classificá-lo como expoente da arquitetura e da escultura Art Deco”.

O texto também reconhece o papel histórico do engenheiro brasileiro, afirmando que considera “a farta documentação que comprova de maneira incontestável a autoria do Engenheiro Arquiteto Heitor da Silva Costa, como vencedor do concurso, projetista da concepção final e coordenador da construção do monumento, que contou com a colaboração de Carlos Oswald, Heitor Levy, Albert Caquot, Paul Landowski e Pedro Fernandes Vianna”.
Para o Reitor do Santuário Cristo Redentor, Padre Omar Raposo, o valor do tombamento definitivo está no reconhecimento ao trabalho dos brasileiros:
— O prefeito, com o Decreto, reconhece que o Cristo Redentor é uma obra de brasileiros feita para os brasileiros e para o mundo todo, afirmou.

O Cristo Redentor, preservado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), já havia sido tombado provisoriamente por meio do Decreto n° 9.156, de 30 de janeiro de 1990.

Reconhecimento aos autores da Obra no Corcovado

No dia da grande festa em atenção aos 80 anos do Cristo, 12 de outubro — feriado em honra à Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, quando também se comemora o Dia das Crianças — pela manhã, no alto do Corcovado, haverá atos religiosos e uma homenagem aos realizadores da obra do Cristo Redentor, quando serão inaugurados os bustos de Heitor da Silva Costa, autor do projeto e responsável pela obra do Cristo, e Dom Sebastião Leme, Arcebispo do Rio que levou adiante a ideia de construção da estátua.

Confira a programação:

8h - Benção aos Visitantes

9h30 - Esquadrilha da Fumaça

10h - Santa Missa com Dom Orani João Tempesta

11h30 - Angelus Solene

12hs - Inauguração dos Bustos Dom Sebastião Leme e Heitor Da Silva Costa

12h30 - Banda Marcial Dragões Iguaçuanos

13hs - Bolo comemorativo de 8 Metros

À noite, a festa acontece no Monumento aos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, das 18h às 22h, com o Show da Paz, que vai apresentar mais de 30 artistas convidados. Na ocasião haverá o lançamento da exposição “Cristo Redentor Para Todos”, que espalhará réplicas do Cristo Redentor pelo Brasil e pelo mundo.

Alexandre Pires, Almir Guineto, Arlindo Cruz, Beth Carvalho, BossaCucaNova, Buchecha & DJ Marlboro, Casuarina, Davi Moraes & Thaís Gulin, DJ Man & Rodrigo Sha, Eduardo Dussek, Elba Ramalho, Eliana Brito & Dunga, Fernanda Abreu, Jorge Aragão, Leila Pinheiro, Marcos Valle, Miúcha, Pe. Omar, Roberto Menescal, Sandy, Sombrinha, Tiago Abravanel e Zeca Pagodinho – e ainda as escolas de samba Beija-Flor e Mangueira, a jazzista americana Stacey Kent e um ballet de 20 bailarinos coreografado por Caio Nunes animarão a festa. Os organizadores pedem que os participantes compareçam vestidos de branco e com bandeiras brancas.


Conheça a História do Cristo Redentor



Cristo redentor maravilha turismo monumento   Quem nunca ouviu dizer que o Cristo Redentor, erguido no alto do Morro do Corcovado, no Rio de Janeiro, foi um presente da França? Ou até mesmo que a obra teria vindo da França para o Brasil de navio? Essas são algumas das histórias contadas por vários anos e que acabaram tornando-se conhecidas, mas que não retratam a verdade histórica da construção do monumento.
   Para esclarecer esses fatos, faz-se necessário voltarmos no tempo, especificamente para o ano de 1921 quando surgiu a ideia da construção do monumento ao Cristo Redentor para marcar a comemoração do 1º Centenário da Independência do Brasil que se daria no ano seguinte. O Círculo Católico se reuniu para discutir o projeto e o local da edificação. O Corcovado foi escolhido entre mais dois candidatos: o Pão de Açúcar e o Morro de Santo Antônio. Mais de 20 mil pessoas assinaram um documento pedindo autorização ao presidente Epitácio Pessoa para a construção no local.
   O autor do projeto do Cristo foi o engenheiro Heitor da Silva Costa, que em 1923 firmou contrato com a Comissão Organizadora do Cristo Redentor para construção da obra. Neste documento, ele cede os direitos autorais do projeto para a comissão organizadora do monumento, sucedida pela Arquidiocese do Rio de Janeiro.
   O projeto escolhido mostrava Jesus segurando uma cruz na mão direita e o globo terrestre na esquerda. Atendendo ao pedido do então arcebispo Dom Sebastião Leme, o engenheiro buscou um sentido mais religioso para a estátua e, com a colaboração do desenhista e pintor brasileiro Carlos Oswald, a figura de Cristo passou a ter o aspecto da cruz, estendendo os braços, como está hoje.
   Para desenvolver o projeto já existente, Silva Costa foi à França contratar o artista Paul Landowski para executar maquetes e esculpir as mãos e a cabeça da estátua. Há registros históricos de que o estatuário francês também cedeu seus direitos autorais ao órgão que hoje é a Arquidiocese do Rio, visto que esta seria uma condição imposta pela Igreja.
   Os recursos para a construção foram obtidos através de uma campanha nacional para arrecadação de fundos para a obra. As doações foram feitas por fieis às paróquias de todo o Brasil. Ou seja, ao contrário do que alguns pensam, foi uma obra de brasileiros custeada por brasileiros.
   A execução dos braços foi a parte mais difícil porque não havia solo firme para apoiar os andaimes. A base do pico do Corcovado era pequena, com cerca de 15 metros, o que aumentou a dificuldade. O menor descuido poderia gerar um acidente fatal. A mais de 700 metros de altura, as condições de trabalho eram extremas e os operários expostos a ventos fortes, temporais, raios, frio e calor intensos. No entanto, o monumento foi inaugurado em 12 de outubro de 1931 e durante as obras nenhum acidente foi registrado.

Fontes: Arquidiocese do Rio, Rádio Catedral e R7.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Escreva no quadro ABAIXO seu comentário sobre esta postagem!

Translate