terça-feira, 2 de agosto de 2011

Padre Sérgio celebra Missa em memória às chacinas da Candelária

A chacina na Candelária completou 18 anos neste sábado, dia 23 de julho. Para manter acesa a chama da esperança e lutar pelo fim da violência, o acontecimento foi recordado através de uma carreata vinda de diversos lugares do Rio, que seguiu até a Candelária, onde aconteceu um “buzinaço”, às 12h. No dia anterior, 22 de julho, foi celebrada a santa missa pela memória do massacre, na Igreja da Candelária. A sagrada eucaristia foi presidida pelo Padre Sérgio Marcos Sá Ferreira, da Paróquia São Sebastião, em Parada de Lucas. E, logo após, aconteceu o encontro inter-religioso e a “Caminhada em Defesa da Vida!”, que seguiu pela avenida Rio Branco, até a Cinelândia. No dia 21, das 18h às 21h, em frente a Igreja da Candelária, também aconteceu uma vigília com a participação de diversas mães que perderam seus filhos.
Além de familiares e amigos das crianças assassinadas e desaparecidas, o encontro inter-religioso reuniu representantes de diversas religiões e também políticos. O Coordenador da Comissão Arquidiocesana para o Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso, Padre Fábio Luiz de Souza, representou o Arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta. E, na “Caminhada em defesa da vida”, crianças e jovens seguiram na frente, segurando faixas e cartazes, entre eles, os alunos da Escola Tasso da Silveira, em Realengo.
A manifestação pacífica também recordou os 21 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90), celebrado em 13 de julho, e os inúmeros assassinatos e desaparecimentos de jovens que continuam acontecendo em todo o país. Na tragédia na Candelária, oito meninos foram assassinados por policiais enquanto dormiam em frente a Igreja.
Pela primeira vez, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal, Maria do Rosário, participou do evento e, antes da caminhada, em breve coletiva concedida à imprensa, aceitou o desafio de agir de forma mais preventiva para combater a causa da violência, conforme o apelo proposto pelo Padre Renato Chiera, fundador e presidente da Casa do Menor São Miguel Arcanjo, na Diocese de Nova Iguaçu, que há 25 anos resgata crianças e adolescentes do mundo das drogas.

- Para mim, o principal dessa solenidade foi o que o Padre Renato disse: “Mais difícil do que ser pobre é não ser filho e não ter ninguém que me espere e cuide de mim.” Foi muito importante termos escutado isso. Porque as crianças assassinadas não tinham a referência da proteção familiar. E quando a família falta, nós não podemos faltar. E também, no apoio às famílias, nós não podemos faltar. Por isso, o desafio que o Padre lançou está aceito de nossa parte. Nós temos que melhorar juntos, como Nação, para reverter essa condição de abandono, para que toda criança tenha alguém que lhe diga: essa criança é minha, nós vamos cuidar dela, garantiu Maria do Rosário.
O Padre Renato Chiera, que também participou da vigília, revelou que não perde a esperança, mesmo diante das inúmeras dificuldades que encontra para realizar a missão de resgatar as vidas de jovens que eram considerados “irrecuperáveis”. Extremamente aplaudido, durante a celebração eucarística, o sacerdote que completou 69 anos também no dia 21 de julho, emocionou a todos quando afirmou que o amor é a melhor forma de vencer a violência.

- Cada menino (de rua) pode ser recuperado quando recebe amor. Quando nós não recuperamos é porque não amamos bastante essas crianças. A grande tragédia é saber que existem crianças que não tem ninguém que as espere e lhes diga que são amadas do jeito que elas são. Amar é ser referencial e acreditar no outro, é fazê-lo sentir-se amado, mesmo quando ele erra. Amar quer dizer dar escola, profissão, possibilidade de trabalho, de realizar sonhos e de protagonismo. Deus nos fez para sermos amados, mas se uma criança não recebe amor não poderá transmitir esse sentimento, alertou Pe. Renato.

Como um bom educador, o sacerdote também orientou os pais sobre a importância de cuidar dos filhos, antes que a droga os escravize.

- Nós damos presente, mas não somos mais presença. Eu escrevi um livro chamado “Presença”. Eu sei que a vida dos pais não é fácil, mas é preciso dar atenção e afeto, e lembrar que existem muitas coisas que podem influenciar negativamente as crianças e os jovens. Nós podemos dar “tudo” para os nossos filhos, mas se não houver presença de amor, nós não estaremos dando nada. E isso só gera revolta neles. A rejeição abre dentro deles um vazio que eles tentam preencher com a droga que os escraviza. É preciso falar sobre o amor incondicional de Deus, ensinou o sacerdote.

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