terça-feira, 10 de maio de 2011

Igrejas demolidas no Centro do Rio

O progresso e a modernização fizeram com que várias igrejas cariocas sumissem do mapa e fossem lembradas somente na história. Nesta postagem iremos falar um pouco sobre seis delas.

Igreja de São Domingos Gusmão


No começo do século XVIII, com extremo sacrifício, foi erguida uma capela em uma área remota fora do centro, chamada de Várzea da Cidade. Ninguém por ali morava, só existindo um caminho, que ia dar no Valongo (Saúde). A partir deste, a uma certa altura, pegava-se o acesso ao modesto templo. Dedicado a São Domingos de Gusmão, ficava em frente a um cemitério onde eram sepultados os escravos.

A igreja de São Domingos e seu largo ficavam onde é atualmente a Av. Presidente Vargas, em frente à Av. Passos. O largo fazia esquina com a rua General Câmara, que corresponde ao lado ímpar da avenida, ficando o templo recuado, ao fundo.
Igreja de São Domingos na década de 1930
Os anos passaram, e a zona urbana começava se dilatar e estender em direção ao Mangue, envolvendo a pequena capela com novas construções e inserindo-a em uma rede de ruas até então inexistente. Doravante, não estaria mais só. Foi construída em seu lugar, em 1791, a Igreja de São Domingos, a qual permaneceria com o mesmo aspecto até seu fim. Era pequena e tinha três altares, dedicados a São Domingos, Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora das Dores, além de uma imagem de Sant'Ana na Sacristia. Foi nesta igreja que surgiu a devoção a mãe de Nossa Senhora na cidade, mas que com um impasse com os membros da igreja, foi retirada a imagem de Sant'Ana e foi levada para uma Capela construída próxima dali para ser seu novo lugar. Tal Capela virou ruínas e foi erguida uma nova Igreja que ainda existe na Praça XI.  

A igreja e o largo de São Domingos desapareceram quando foi aberta da Av. Presidente Vargas em 1942, junto com uma parte enorme do patrimônio histórico do Rio. O pequeno templo, obra de várias gerações de escravos, nos lembra o esforço e dedicação daqueles que, mesmo quando despojados de todos direitos inerentes ao ser humano, lutaram para celebrar sua fé assim como a própria vida.

Igreja de São Pedro dos Clérigos

Igreja de São Pedro na década de 1920
A igreja de São Pedro dos Clérigos teve construção iniciada em 1773, em terreno na esquina das ruas São Pedro (lado par da Av. Presidente Vargas) e Ourives (Rua Miguel Couto), sendo a primeira das Américas com traçado curvo, formada por uma rotunda com quatro arcos constituindo a capela-mor, o coro e os altares laterais. O interior era decorado por rico trabalho de talha de Mestre Valentim. Foi local de sepultamento de personagens célebres, como o padre José Maurício, o poeta Silva Alvarenga, além dos historiadores Monsenhor Pizzaro e Luís Gonçalves dos Santos, o Padre Perereca.

A igreja de São Pedro foi a última a cair em 1943 para dar passagem à Avenida Presidente Vargas, apesar das tentativas para que o templo fosse preservado  Dentre as possibilidades constava um plano para deslocar o templo para a lateral da avenida, o que nunca aconteceu.

O portal original da velha igreja ainda pode ser visto no templo moderno, na avenida Paulo de Frontin, no Rio Comprido.


Convento da Ajuda

O Convento que tinha como padroeira Nossa Senhora da Ajuda e ficava situada exatamente no meio da Cinelândia bem na frente do Teatro Municipal.
Convento da Ajuda em 1907
No local onde existia, desde o início do séc. XVI, a ermida de Nossa Senhora da Ajuda, foi construída o Convento. A pedra fundamental foi lançada em 1745, mas o convento só começou a funcionar em maio de 1750, com doze postulantes na clausura, a viver sob a Regra das Concepcionistas Franciscanas com as Constituições do Mosteiro da Luz, de Lisboa, adaptadas ao Brasil. O chafariz, conhecido como das Saracuras, é obra de Mestre Valentim, foi inaugurado em 1795 no pátio interno do convento, e desde 1917, encontra-se na Praça General Osório, em Ipanema. Conta-se que as freiras lavavam suas vestes neste chafariz.


O corpo de D. Maria I, mãe de D.João, foi enterrado no interior do convento, onde permaneceu até ser transladado para Lisboa. Também lá esteve o corpo de D. Leopoldina, primeira esposa de D. Pedro I, até a demolição, quando passou para o Convento de Santo Antonio (no Largo da Carioca) onde permaneceu até 1954, quando foi transladado para o Museu do Ipiranga, em São Paulo.

O mosteiro ficava localizado no início do caminho dos Arcos, hoje Rua Evaristo da Veiga, onde permaneceu até 1911 quando foi demolido.

Igreja de São Joaquim

Igreja de São Joaquim no ano da sua demolição
A Igreja de São Joaquim teve origem numa capela construída em 1758. Ficava junto do seminário dos órfãos que funcionou onde está hoje o Colégio Pedro II, na Avenida Marechal Floriano. Tempos depois pensou-se em demoli-la para dar passagem às linhas da Estrada de Ferro D. Pedro II (Central do Brasil), cujos trens se pretendia levar até ao mar, na Prainha (Praça Mauá), mas isto não se realizou. 


Por fim, na administração Pereira Passos, com o projeto de alargamento da antiga Rua Estreita de São Joaquim, teve começo a sua derrubada em maio de 1904. As paredes de grossa cantaria e argamassa de cal e borra de óleo de baleia foram derrubadas com golpes de picareta e dinamite e a velha igreja veio abaixo.

Igreja de São Sebastião (Antiga Sé)
Igreja de São Sebastião em 1919
Em 1676, quando foi criado o Bispado do Rio de Janeiro, a Igreja de São Sebastião passou a ser a Catedral da cidade e lá permaneceu até 1734,  quando devido a seu péssimo estado, mudou-se para a Igreja da Santa Cruz dos Militares. Tradicionalmente, no dia de São Sebastião, o padroeiro do Rio de Janeiro, a Igreja ficava em festa e tinha a procissão que saía da Igreja e ia em direção à Catedral. Tradição esta que se mantêm até hoje porém com uma nova Igreja de São Sebastião na Tijuca on de guarda peças da antiga Igreja e uma nova Catedral no Centro. Infelizmente a Igreja foi destruída junto com o Morro do Castelo onde ficava. Sua última Missa foi em 20 de janeiro de 1920.

Igreja de Santo Inácio

Igreja de Santo Inácio no início do século XX
A Igreja era cuidada pelos jesuítas e também desapareceu com a demolição do Morro do Castelo. A maioria de suas peças foram levadas para a Igreja de Nossa Senhora do Bomsucesso no Centro do Rio.

Igreja de São Jorge

Antiga Capela em 1825
Ao contrário do que muitos pensam, a Igreja situada no Campo de Santana é originalmente dedicada à São Gonçalo. O detalhe é que tempos atrás na antiga Rua de São Jorge (atual Rua Gonçalves Ledo), existia uma pequena Capela dedicada ao Santo guerreiro que foi erguida em 1753. Cem anos depois, a Capela estava em ruínas e ameaçava desabar. Então, levaram a imagem de São Jorge para a Igreja de São Gonçalo. Logo as duas comunidades se fundiram em 1854. Atualmente, esta Igreja é mais conhecida como sendo de São Jorge devido à grande popularidade do santo entre os cariocas.


*Pesquisado por Ariel Carvalho

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