sábado, 21 de maio de 2011

Depoimento de Padre Pio, nosso antigo Capelão

Padre Pio foi Capelão da Capela do Menino Deus de 1996 a 2002. Ele escreveu-nos um depoimento e pediu que passasse para toda a comunidade. Tal mensagem ele deu o título de: "Os bons dias com o Menino Deus!"
Padre Pio celebrando Primeira Eucaristia em 2000
Um ano e meio após chegar ao Rio de Janeiro, não sabendo ainda como me deslocar para alguns pontos da Cidade maravilhosa, só conseguia saber os pontos do ônibus da linha 410. Esse ônibus passava pela Rua Riachuelo e tinha um ponto depois de uma capela cor de rosa e outro próximo à um bar da Lapa. Eu errava sempre o tal ponto depois da tal capela, pois nunca conseguia descobrir essa Capela cor de rosa, e só descia do ônibus no ponto lá na Lapa bem depois da Capela. Por varias vezes tentei descobrir exatamente onde ficava essa Capela.

Morava nessa época no Rio Comprido, na casa do Padre. Nessa casa residiam também vários outros padres, alguns do clero do Rio como Pe. Marino, Pe. Olinto e outros que já estavam na Arquidiocese do Rio a muito tempo como o Pe. Linhares e Pe. Arnaldo. Tinha os que chegavam para passar um tempo no Rio, para Trabalho ou curso.
                       
Eu estava no grupo que tinha ido a trabalho e junto comigo Pe. João Ednalvo, Capelão da Marinha e Pe. Carlos Zorzi também capelão na época.
Pe. João e  Pe. Carlos após o trabalho na Marinha atendiam aos fiéis de uma tal capela do Menino Deus. Por alguns meses sei que eles ajudavam no atendimento aos fiéis da Capela.

Certo dia, Pe. Carlos perguntou-me se eu não queria substituí-los no atendimento à Capela, pois ele e o Pe. João teriam que se afastar, pois a Marinha precisava deles em outro lugar.

Relutei muito, pois não conhecia a Capela, as pessoas que lá trabalhavam e que tipo de público  frequentavam ela. Relutei, mas arrisquei. Arrisquei e não me arrependi. Iniciei as atividades na Capela em 1996 e fiquei até 2002.

Cheguei e encontrei uma senhora com um aspecto de mandona e autoritária que estava junto com uma outra senhora que tinha um aspecto mais alegre. Era a Marieta e a Assunta. Essa tal Marieta era muito séria e eu a achava que ela fosse mandona e com o humor sempre em baixa. A outra era sempre mais alegre.

Algum tempo se passou e a Assunta foi trabalhar na Igreja de Nossa Senhora Carmo na Lapa e a Marieta ficou responsável por todo o trabalho da Capela. Desse momento em diante era ela quem procurava padres para celebrações, as pessoas para animação e cânticos, e a Assunta ficou somente com a catequese auxiliada por duas jovens e outras duas adolescentes. Foi aí que pude conhecer melhor a Marieta, e descobrir que ela não tinha nada de mandona e pelo contrário, muitas vezes tinha que fazer “das tripas o coração” para conseguir alguém para celebrar, e também sem ter ninguém para substituí-la se quer um dia para descanso. A Assunta passou a ficar alguns domingos para que ela tivesse pelo menos um dia de folga. Ela estava ali todos os dias nos horários de funcionamento da Capela, sempre atenta a tudo e a todos, conhecendo os lugares de cada um se sentava, que dia do mês alguém pedia uma celebração e em intenção de quem. Chegava a saber a lista de falecidos de algumas pessoas sem que a pessoa precisasse listar para ela.

Algum tempo mais tarde lembro-me de um pai que ia a Missa aos sábados ou domingo com a esposa, a filha e o filho. O menino sempre tinha vergonha, ficava no fundo da Igreja encostado na parede do lado direito de que olha da sacristia. Depois de muito insistir, ele passou a ajudar nas celebrações, mas só quando a mãe dele estava presente. O interessante é que esse garoto não faltava nenhum dia na Missa.  Depois que passou a ajudar nas celebrações, vinha só e voltava comigo até o ponto do ônibus 410 na Av. Mem de Sá. Nos tornamos bons amigos e ele era um ótimo coroinha. Sim, era o Ariel que na época estudava no Ensino Fundamental e hoje já acabando a Graduação ainda nos mantemos em contato.

Saí do Rio em 2002 por necessidade do meu serviço militar na Aeronáutica e fui para Belém do Pará. Voltei ao Rio algumas vezes a passeio e me alegrei com as lindas mudanças que foram feitas na Capela como as pinturas, reforma do piso, sacristia, câmeras de segurança e tantas outras mudanças.

Os meus bons momentos durante todo o tempo que estava presidindo as celebrações na Capela, agradeço a minha amiga Marieta e ao Ariel, que nunca me faltaram com a paciência, respeito, compreensão e amizade. Aos que animaram as celebrações, como o Gláuber e a Conceição sinto uma grande saudade. E a toda a comunidade que participava das celebrações reforço a minha lembrança. Deus os abençoe!
                      
Ao Menino Deus peço proteção e paz para mim, para os presidentes que passaram pelo Conselho Nacional da Sociedade São Vicente de Paulo, durante minha estada na Capela e aos que os sucederam, aos funcionários vicentinos, ao Pe. Abdias que era o pároco responsável pela Capela do Menino Deus que era da Paróquia de Santo Antônio dos Pobres, e a todos que durante os meus anos junto ao Menino Deus, lá se fizeram presente ou me ajudaram a levar a palavra de Deus.
                       
Hoje, diferente dos meus anos iniciais no Rio de Janeiro, já não consigo passar pela Rua Riachuelo e não olhar para a Capela, e me lembrar com saudade daqueles bons dias que passei com o Menino Deus.
                       
  
PADRE GERALDO PIO

                                                                     
São José dos Campos-SP, 18 de maio de 2011. 

3 comentários:

  1. Pe. Pio, grande amigo. Voce fez parte de minha história e ainda está presente em minhas oracoes. Seu amigo, Ivanir(boy) sao joao del rei
    email: cantorsjdr@hotmail.com

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  2. Abraços ao amigo Pe. Pio.

    Pe. Ivan (então seminarista que o auxiliou em Araponga. Parece-me que na semana santa de 1994).

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  3. Giancarlo Alves6/12/2012 4:36 PM

    Que legal saber noticias do Grande Pe. Pio!!!!!! saudades

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