quarta-feira, 18 de maio de 2011

Brasil terá mais uma Beata: Irmã Dulce

A Igreja Católica divulgou na última sexta-feira, dia 13 de maio, em Salvador, os detalhes do primeiro milagre atribuído à Irmã Dulce (1914-1992). Segundo os registros, o milagre foi a sobrevivência da sergipana Cláudia Cristiane dos Santos, que foi desenganada pelos médicos, após sofrer uma hemorragia incontrolável no pós-parto, em 11 de janeiro de 2001.

"- Você precisa de um milagre para sobreviver e poder cuidar de seus filhos. Você acredita que Irmã Dulce possa interceder diante de Deus?
- Acredito sim.
- Eu também. Vamos rezar."

Esse foi o diálogo entre os dois dos principais personagens que compõem o cenário da beatificação de Irmã Dulce: o Padre José Almí de Menezes e Cláudia, uma funcionária pública municipal da pequena cidade de Malhador, interior de Sergipe.

Durante 28 horas a equipe comandada pelo obstetra Antônio Cardoso Moura esgotou todos os recursos disponíveis na maternidade. Mesmo após três cirurgias, o sangramento da paciente não cessava. Os médicos resolveram, então, fechar o abdômen de Cláudia e conversaram com a família, pois não havia mais nada o que fazer. Contudo, sem nenhuma outra intervenção médica, a hemorragia subitamente parou e a paciente se recuperou.

Menezes e Augustinha, testemunhas do caso, estiveram na sede das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), na capital baiana, para contar os detalhes do milagre. Desde que o caso começou a ser estudado, em 2003, a identidade de Claudia era mantida sob sigilo, por orientação do Vaticano. Segundo a direção das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), mais de dez médicos brasileiros e três italianos estudaram o caso e não encontraram explicação para a cura de Claudia.

Analisado por peritos médicos, religiosos e especialistas em processo canônico, o episódio tem validação jurídica emitida pela Santa Sé em junho de 2003, e é reconhecido como o primeiro milagre de Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, a Irmã Dulce, pelo Papa Bento XVI, em dezembro de 2010.

Uma graça só é considerada milagre após atender a quatro pontos básicos: a instantaneidade, que assegura que a graça foi alcançada logo após o apelo; a perfeição, que garante o atendimento completo do pedido; a durabilidade e permanência do benefício e seu caráter preternatural (não explicado pela ciência).

“O milagre apresentado no processo foi examinado meticulosamente por especialistas do Brasil e de Roma. Um reconhecimento que vem mais uma vez confirmar a vida de virtudes de Irmã Dulce – trajetória essa baseada na total dedicação aos pobres e doentes”, afirmou o Arcebispo Emérito de Salvador, Cardeal Dom Geraldo Majella.

O Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, conta com a presença de 70 mil fiéis e devotos para a beatificação de Irmã Dulce, no próximo dia 22 de maio, no Parque de Exposições da capital baiana, onde será feita a cerimônia.

Por delegação do Papa Bento XVI, a beatificação será presidida pelo Cardeal Dom Geraldo Majella Agnelo, Arcebispo Emérito, que deixou o governo da Arquidiocese de Salvador em março. Foi ele quem levou a causa de beatificação adiante, após iniciativa de seu predecessor, Cardeal Dom Lucas Moreira Neves, em 1997, cinco anos após a morte da freira.

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