quarta-feira, 9 de março de 2011

Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma

Bento XVI em sua mensagem para a Quaresma de 2011 que começa hoje, dia 09/03/2011 com a Imposição das Cinzas, trata destas ações, denominando-as de “expressões do empenho de conversão”.

Quanto ao jejum, afirma: “pode ter diversas motivações, adquire para o cristão um significado profundamente religioso: tornando mais pobre a nossa mesa, aprendemos a superar o egoísmo para viver na lógica da doação e do amor; suportando as privações de algumas coisas – e não só do supérfluo –, aprendemos a desviar o olhar do nosso ‘eu’, para descobrir Alguém ao nosso lado e reconhecer Deus nos rostos de tantos irmãos nossos”. Enfim, o Papa aprofunda a dimensão bíblica do jejum ao dizer: “o jejum nada tem de intimista, mas abre em maior medida para Deus e para as necessidades dos homens, e faz com que o amor a Deus seja também amor ao próximo (cf. Mt 12,31)”.

A respeito da esmola, ensina que ela é o exercício da partilha. É, sobretudo, “uma chamada à primazia de Deus e à atenção para com o próximo, para redescobrir o nosso Pai bom e receber a sua misericórdia”.

No que toca à oração, recorda-nos que ela “permite-nos também adquirir uma nova concepção do tempo: de fato, sem a perspectiva da eternidade e da transcendência, ele cadencia simplesmente os nossos passos rumo a um horizonte que não tem futuro. Ao contrário, na oração encontramos tempo para Deus, para conhecer que “as suas palavras não passarão” (cf. Mt 13, 31), para entrar naquela comunhão íntima com Ele “que ninguém nos poderá tirar” (cf. Jo 16,22) e que nos abre à esperança que não desilude, à vida eterna”. Enfim, sentencia: “mediante o encontro pessoal com o nosso Redentor e através do jejum, da esmola e da oração, o caminho de conversão rumo à Páscoa leva-nos a redescobrir o nosso Batismo”.

A relação da Quaresma com o Batismo é histórica, remonta ao antigo catecumenato. Hoje é uma descoberta pessoal, que precisa ser feita: no Batismo, ressuscitei com Cristo para uma vida nova. Por isso, no sábado santo, renovaremos as promessas batismais com as velas acesas.

Há uma frase de Jesus que pode nos incentivar a viver a Quaresma em profundidade: “Coisa boa é o sal. Mas, se o sal se tornar insosso, com que lhe restituireis o tempero? Tende, pois, sal em vós mesmos” (Mc 9, 50).

A sentença, aplicada ao tempo quaresmal, sugere que é preciso ter sal em si para a vivência plena da Quaresma em função da Páscoa e da retomada alegre do próprio Batismo. Supõe um cristianismo rico de significado para quem o pratica com a capacidade de preservar-se da corrupção do tempo presente.

Paulo retoma em parte o pensamento de Jesus: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, de modo que saibais como convém responder a cada um (Cl 4,5)”. Não basta que seja uma palavra oportuna, pois o silêncio também o é. Aliás, admite a palavra inoportuna, desde que seja a palavra da fé, rica de sentido para preservar a pertença do Senhor e impregnar com os valores do Evangelho os ambientes sociais, quer agrade quer desagrade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Escreva no quadro ABAIXO seu comentário sobre esta postagem!

Translate