sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Capela N.S. da Glória do Outeiro

O Blog da Capela visitou a belíssima e bicentenária Igreja da Glória do Outeiro no Aterro do Flamengo.


Com acesso pela Praça do Russel na Glória, o visitante pode subir o morro pela escada ou optar ir pelo bondinho ao lado da escadaria no Plano Inclinado.


Museu

Chegando lá no alto avistamos, visitamos e recomendamos o Museu da Irmandade da Igreja. A entrada custa apenas R$2,00.


Inaugurado em 1942, durante a provedoria de Thiers Fleming (1939/1944), com o nome de Museu Artístico, foi reorganizado e reaberto ao público em 1985 na provedoria de Mauro Ribeiro Viegas.

Com um acervo de quase 1.000 peças catalogadas, é composto não só por objetos usados na liturgia católica, como também por outros doados por fiéis em cumprimento a promessas feitas à Nossa Senhora da Glória, ou simplesmente por devoção.

Destacam-se, entre os objetos de culto aí expostos, pelo valor histórico ou artístico, um cálice de prata dourada, oferta da Imperatriz D. Amélia, e lâmpadas de prata doadas por D. Pedro II.

Duas telas ex-votos aí se encontram: a de autor desconhecido ofertada pelos tripulantes da galera "Theodora", com data de 1819, e a pintura de Felix Emílio Taunay, referente à queda de cavalo sofrida por D. Pedro I.

A "Vista do Outeiro da Glória", de Bertichen, de 1846 é uma das melhores pinturas da Coleção.

Peça de imenso valor do acervo do Museu, por sua ligação com o histórico da Irmandade, é o livro do Primeiro Compromisso, datado de 1739.

História da Igreja

Depois visitamos o interior da lindíssima Igreja recheada de histórias ricas e visões deslumbrantes.

O Outeiro da Glória, outrora chamada "Morro do Leripe" ou "Uruçumirim", apresentava-se abrupto sobre o mar e era o local, descrito por Mem de Sá, onde se encontrava a "fortaleza de biroaçumirim...com muitos franceses e artilharia."

Conquistado pelos portugueses em 20 de janeiro de 1567, sob o comando do fundador da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, Estácio de Sá, é local dos mais importantes na historiografia carioca. Primeiro, porque foi aí com a vitória dos portugueses, que se firmou o domínio luso na cidade; depois, porque foi deste solo que saiu ferido mortalmente seu fundador.

A devoção a Nossa Senhora da Glória surgiu no início do século XVII, alguns anos após a fundação da cidade, quando no ano de 1608, um certo Ayres colocou uma pequena imagem da Virgem numa gruta natural existente no morro.

Mas as origens históricas remontam a 1671. O ermitão Antonio Caminha, natural do Aveiro, esculpiu a imagem da Virgem em madeira e ergueu uma pequena ermida no "Morro do Leripe", onde já existia a gruta, formando-se em torno um círculo de devotos.

Diz a lenda que para presentear o rei D. João V, Caminha fez uma réplica da imagem embarcando-a para Portugal. O navio que a transportava naufragou e as ondas a levaram para uma praia na cidade de Lagos, no Algarve. Aí frades capuchinhos a recolheram, levando-a para o convento onde é cultuada até os dias atuais, na Igreja de São Sebastião.

As terras com o nome de Chácara do Oriente, compreendendo o Outeiro, pertenciam a Cláudio Gurgel do Amaral e foram doadas à Nossa Senhora em escritura pública de 20 de junho de 1699, com a condição de ser edificada uma capela permanente, e que nela fossem sepultados o doador e seus descendentes.

Pelo contexto da escritura depreende-se que em 1699 já havia uma Irmandade para cultuar Nossa Senhora da Glória, confraria que segundo o "Santuário Mariano" possuía, em 1714, "quantidade de dinheiro para dar princípio a uma nova e grande igreja de pedra e cal, porque a primeira que se fez foi de madeira e barro."

A Irmandade de Nossa Senhora da Glória foi canonicamente instituída a 10 de outubro de 1739, ano em que se concluiu a construção do templo, por ato provisional do Bispo do Rio de Janeiro, Frei Antonio de Guadalupe, em resposta a uma petição dos Irmãos.

A Igreja ganhou enorme prestígio quando da chegada da Corte Portuguesa, em 1808. A família Real tinha especial predileção por ela. Em 1819 a princesa Maria da Glória foi trazida por seu avô, D. João VI, para a cerimônia da consagração. A partir de então todos os membros da família Bragança, nascidos no Brasil, são consagrados na Igreja.

A 27 de dezembro de 1849 D. Pedro II outorgou o título de "Imperial" à Irmandade. Após esta data todos seus descendentes nascidos no Brasil são membros da mesma. O advento da República respeitou esta outorga.

Durante o governo de Getúlio Vargas foi declarada "Monumento Nacional", e como tal tombada pelo Decreto-Lei de 25 de abril de 1937, que preserva os bens de valor artístico e histórico. O tombamento ocorreu a 17 de março de 1938, inscrito no Livro Tombo do Ministério de Educação e assinado por Rodrigo de Mello Franco de Andrade.

A 1° de novembro de 1950 o Papa Pio XII conferiu à Igreja da Glória o título de "Basílica Nacional da Assunção".

E por último não deixamos de contemplar a belíssima vista do Aterro do Flamengo e do Pão de Açúcar que se vê do pátio externo da Igreja.


Contato

Praça Nossa Senhora da Glória, 135/204
Glória - Rio de Janeiro - RJ - Brasil
CEP: 22211-110
Telefones:
(21) 2225-2869
(21) 2557-4600
Fax:
(21) 2557-6908
E-mail:
Site:


Texto: Ariel e Site da Igreja do Outeiro da Glória
Fotos: Ariel Carvalho

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