domingo, 7 de novembro de 2010

90 anos do Cardeal Dom Eugênio Sales

Dom Eugênio Sales e Dom Orani Tempesta
A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, junto com toda a Igreja no Brasil, se reuniu no sábado, 6 de novembro, para celebrar os 90 anos do Cardeal Dom Eugenio de Araújo Sales. A missa em ação de graças, realizada na Catedral Metropolitana e presidida pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Orani João Tempesta, reuniu cerca de cinco mil fiéis, dentre eles: seis cardeais, 28 Bispos, centenas de padres, diáconos, seminaristas, religiosos e leigos.

Estavam presentes à celebração autoridades civis e militares, artistas, funcionários, amigos e admiradores do Arcebispo Emérito do Rio de Janeiro. Também foram prestigiar o homenageado pessoas ligadas ao seu ministério, exercido não só no Rio, mas também quando foi Bispo em Natal e Primaz do Brasil em Salvador.

No início da celebração, Dom Orani agradeceu a presença de todos e ressaltou a dedicação do Cardeal Dom Eugenio como pastor do povo carioca. Ele disse que com seu testemunho de fidelidade à vocação recebida, Dom Eugenio é um exemplo seguro e firme de como viver a vocação batismal.

- Vossa Eminência soube colocar em prática o seu lema episcopal. Hoje, com o espírito vigoroso, sois ícone e sinal de referência na trajetória eclesial. Esta Arquidiocese que Vossa Eminência ama está hoje aqui, para, unidos, agradecermos e pedirmos a Deus por todos os dons concedidos nos abençoados 90 anos, disse Dom Orani.

A homilia foi preferida pelo Bispo Auxiliar Emérito do Rio Dom Karl Josef Romer, que destacou a atuação de Dom Eugenio durante os 30 anos em que exerceu o papel de pastor do povo carioca.

- A atuação de Dom Eugenio foi manifestamente abençoada. Dom Eugenio não só nos ensinou a pastorear, mas sua vida manifestou-se como modelo. A preocupação permanente com a formação do clero foi uma das marcas de Dom Eugenio, que renovou o Seminário de São José, incentivando as vocações, ordenando muitos presbíteros, dando uma assistência especial aos padres de sua Arquidiocese, frisou.

Ele destacou ainda a atuação de Dom Eugenio no Concílio Vaticano II, com otimismo fundado no Evangelho. Salientou a ampla e silenciosa rede de assistência aos mais pobres, que foi idealizada, levada a efeito e protegida por Dom Eugenio em seu longo governo de 30 anos.

Durante o ofertório, crianças da catequese e do coral da Paróquia da Ressurreição, em Copacabana, cantaram a música “Amigo”, de Roberto Carlos, vestidos com camisas que traziam imagens do Cardeal. Ainda foram levados ao altar alguns símbolos representando seus amigos e familiares.

Muitas homenagens foram feitas ao Cardeal, como um vídeo, que apresentou momentos marcantes de seu ministério. Um momento de grande emoção foi quando a cantora Elba Ramalho cantou “Asa Branca” – música que Dom Eugenio gosta muito. Dom Orani também leu a carta assinada de felicitações e agradecimentos que o Papa Bento XVI enviou para Dom Eugenio.

“É com muita alegria que lhe apresento as minhas cordiais felicitações, unindo-me ao povo da Arquidiocese do Rio de Janeiro – da qual por três décadas foi zeloso pastor. Fiel ao seu lema episcopal, soube gastar-se inteiramente por aqueles que Deus lhe havia confiado.”, manifestou o Santo Padre.

- Deus seja louvado pela sua vida e vocação, Eminência, Cardeal Dom Eugenio. Obrigada por nos permitir estar juntos nessa comemoração e pela proximidade e fraternidade dos trabalhos nesta bela Arquidiocese. Parabéns, em nome de todos os diocesanos, concluiu Dom Orani.

Muito emocionado, Dom Eugenio agradeceu todas as manifestações de carinho, a Deus, e ao pastor do Rio, Dom Orani, pelos gestos de delicadeza. Ele agradeceu ainda a todo o clero, religiosos e ao povo do Rio de Janeiro.

- Eu perguntei a mim mesmo como é que eu poderia agradecer. Encontrei a resposta. Agradecimento, na língua da Bíblia se diz “eucaristia”. Cristo é nossa eucaristia, nossa mais bela e mais profunda gratidão diante de Deus Pai e entre nós, disse o Cardeal.


Um exemplo de santidade

- Dom Eugenio foi uma das personalidades mais influentes da Igreja no Brasil, praticamente durante todo o pontificado de João Paulo II. Foi uma pessoa de extrema importância no processo de redemocratização do país, trabalhando de uma maneira muito própria. Além disso, foi um grande líder no Rio de Janeiro. Ele é um dom de Deus para nós, disse Dom Dimas Lara Barbosa.

- Por muito tempo, Dom Eugenio representou uma liderança significativa e importantíssima para a Igreja no Brasil. Ainda hoje continua a representar um verdadeiro ícone também no meio do episcopado brasileiro. Dom Eugenio deu uma contribuição muito valiosa, a partir da década de 1960 para colocar em prática os ensinamentos do Concilio Vaticano II de maneira autêntica, mas também de manter a fidelidade, adesão, comunhão do episcopado brasileiro ao Santo Padre. Por tudo isso está sendo homenageado. Agradecemos a Deus por sua vida, e rezemos para que o Senhor conserve a sua vida, com muita saúde e paz de espírito, afirmou o Arcebispo de São Paulo, Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer.

- É difícil falar de Dom Eugenio, justamente porque ele é meu irmão. Mas o vejo como uma “Coluna da Igreja”, expressão bonita que faço minha, mas quem disse foi o próprio Santo Padre na última vez em que estive com ele, afirmou o Arcebispo Emérito de Natal (RN), Dom Heitor de Araújo Sales.

Catedral do Rio lotada para a Missa
- Dom Eugenio é um ícone para o episcopado brasileiro. Uma pessoa que muito ajudou a Igreja nos últimos anos, daí a grande manifestação eclesial do povo de Deus, particularmente pela presença do clero e dos irmãos no episcopado. Por tudo o que ele representa, o nosso louvor a Deus, pelo dom de sua vida e de seu ministério, afirmou o Arcebispo de Belém do Pará, Dom Alberto Taveira Correa.


*Texto: Leanna Scal Fotos: Gustavo de Oliveira e Carlos Moioli (Portal da Arquidiocese do Rio)

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