domingo, 8 de agosto de 2010

História da Capela do Menino Deus

Introdução

Data da foto desconhecida
Pesquisar sobre a História da Capela do Menino Deus não foi fácil. Na internet, o material recolhido foi muito pouco. Por isso, só tivemos resultado depois de uma pesquisa minuciosa por alguns livros publicados a muitos anos atrás. Não focamos nas histórias dos personagens, mas somente na história da Capela. Nesses livros encontramos datas precisas sobre a construção e até da data da primeira missa celebrada na Capela, inclusive o Padre que presidiu a celebração. Não é uma pesquisa muito grande. Foi realizada a partir de poucos materiais encontrados sobre o assunto. Essa pequena história que envolve duas irmãs, Jacinta e Francisca, que buscaram a todo momento realizar seus desejos ardentes de servir a Deus e seguir as Regras de Santa Teresa desenterra uma parte do passado guardado em bibliotecas que há muitos anos esperam ser contadas. Desde a construção em 1742, passando por sua ruína e reconstrução, até os dias de hoje encontra-se descrito nesta pequena pesquisa. Cada livro pesquisado nos desvenda uma parte desta história, mas que só se encaixou juntando todas as partes desmembradas em cada achado. Você sabia por exemplo que a Rua do Riachuelo se chamava Caminho do Matacavalos? Ou que havia um chafariz ao lado da Capela que abastecia tanto a chácara que se encontra a Capela como uma parte da região? Ou que Machado de Assis e tantas outras personalidades famosas do passado participavam das Missas na Capela? E que pretendiam derrubar a Capela para modernizar a Rua do Riachuelo, mas a mantiveram e desviaram a rua para não destruí-la? Ou ainda que nas telhas da antiga Capela haviam marcas das mãos dos escravos que a ajudaram a erguer? Esta Capela que a mais de 260 anos está presente no coração do Centro do Rio de Janeiro merece o nosso carinho e contemplação. Não é uma igreja com detalhes em ouro, ou em estilo barroco, ou grande fisicamente como na maioria das Igrejas de nossa cidade. É uma Capela pequena e simples, mas que traduz a humildade com a qual devemos reconhecê-la como parte histórica de nossa cidade do Rio de Janeiro e preservá-la para que não caia em ruína novamente.

Capítulo 1
Jacinta e Francisca na Chácara da Bica

Jacinta de São José
Corria o ano de 1742 quando as irmãs Jacinta e Francisca voltavam da missa na Ermida de Nossa Senhora do Desterro, onde habitavam religiosos capuchinhos italianos. Elas, passando pelo caminho do Matacavalos que tinha esse nome, pois muitos dos cavalos que por lá passavam ficavam atolados e quebravam as patas tendo que ser sacrificados, avistaram uma antiga Chácara que se chamava Chácara da Bica. Tal chácara estava abandonada e em ruínas, mas algo atraiu Jacinta para aquele lugar.
Jacinta então pediu ao seu tio materno Manoel Pereira Ramos, que comprasse essa chácara do então proprietário Tenente Coronel Domingos Rodrigues Távora.
No dia seguinte ao dia 25 de março do mesmo ano, Jacinta voltando da Missa na ermida de Nossa Senhora do Desterro com seu irmão, o Padre José Gonçalves, entro na Chácara na Matacavalos carregando consigo apenas a imagem do Menino Deus que possuía. Com o auxílio do Padre José Gonçalves, improvisou junto a parede um altar provisório ornado com flores e ervas odoríferas que ela mesma foi colher perto de uma fonte havia no quintal da chácara. Foi aos pés deste altar que Jacinta sussurrou suas primeiras orações no novo retiro.
Jacinta então pediu ao Padre José Gonçalves que fosse convidar sua irmã Francisca para viver junto dela naquele retiro que ela mesma preparara. Para sua surpresa, no dia seguinte já estava Francisca ao lado de Jacinta no retiro. Ali as duas irmãs começaram viver na solidão e no silêncio, entregando-se à penitência e consagrando-se suas almas a Deus. A partir daquele momento, as irmãs largaram tudo e passaram a se chamar Jacinta de São José e Francisca de Jesus Maria.
A casa em ruínas da Chácara da Bica tinha se tornado o mais vivo interesse de veneração dos habitantes da cidade do Rio de Janeiro, pois nela se asilavam as duas flores precursoras do Carmelo no Brasil: Jacinta e Francisca.
Ninguém as via com exceção do Padre José Gonçalves e do confessor que as dirigiam, porém sempre ouvia-se a voz delas entoando cantos e rezando o ofício de Nossa Senhora.

Capítulo 2
A construção da Capela do Menino Deus e seus primeiros anos

Governador Gomes Freire
Depois de terminadas algumas obras para tornar a chácara mais habitável, Jacinta decidiu erguer uma Capela dedicada ao Menino Deus, mas aguardava a autorização do Bispo. Em 03 de abril de 1742, o Bispo D. Frei João da Cruz concedeu tal autorização. Como não tinha dinheiro, vendeu o par de brincos que tinha e com o dinheiro da venda começou a obra para erguer a Capela tão sonhada. Além disso, o Governador Gomes Freire de Andrade vendo a dedicação e o empenho de Jacinta e Francisca na construção da Capela, concedeu a elas uma quantia mensal para ajudar na obra e demais necessidades das irmãs.
De dia os operários trabalhavam incansavelmente para levantar a Capela e a noite viam-se vultos brancos sob a luz do luar de duas mulheres carregando pesadas pedras para junto das paredes que eram erguidas. Não demorou muito para a Capela ser erguida completamente.
Em 31 de dezembro de 1743, dia de São Silvestre, o Cônego Doutoral Henrique Moreira de Carvalho, com a autorização do Bispo, benzeu a nova Capela do Menino Deus e no dia seguinte, 01 de janeiro de 1744 foi celebrada a primeira missa na Capela pelo Frei Manoel Francisco tendo a presença de Jacinta e Francisca trajadas com capas e saias pardas e véus pretos para receber a sagrada comunhão.
Do lado do Evangelho, sobre o presbitério da Capela, Jacinta colocou uma porta com uma pequena abertura para servir de confessionário.
Não tardou muito para que outras mulheres fossem ao encontro de Jacinta e Francisca querendo viver naquela tão humilde retiro. Foram elas: Rosa de Jesus Maria, Ana de Santo Agostinho, Maria de Santa Teresa e Ana de Jesus.
Por duas vezes o Bispo D. João da Cruz visitou Jacinta e Francisca na Capela e ele demonstrava muito apreço pelas irmãs. Por tudo isso, ele ofereceu uma imagem de Nossa Senhora do Carmo e uma outra de São João da Cruz que hoje encontram-se no Convento de Santa Teresa.

Capítulo 3
A morte de Francisca

Em conseqüência da vida que Francisca levava de excessivo trabalho e das austeridades que a abraçava, ela foi atacada por uma tuberculose pulmonar. Antes de morrer ainda teve a alegria de ver ordenado seu irmão Sebastião e José Gonçalves. Mesmo perto da morte, Francisca guardava um semblante alegre e sereno. Em seus últimos suspiros, Francisca sussurrava a frase “Ai meu Deus!”. E na manhã do dia 13 de junho de 1748 quando tinha por volta de 30 anos de idade, Francisca respirou pela última vez.
Padre Antonio Nunes, seu confessou assim a descreveu: “Francisca era muito pura de consciência, de coração singelo, um espírito liberto e acatado, muito alegre e mortificada, sem afetações, sem fingimentos, nem beatices exteriores. Uma mulher muito sofredora, pacífica e humilde. Sem apego, muito pronta a voz da obediência sem a menor dificuldade, muito compadecida, muito caritativa e dada a orações com muita solidez nos exercícios dela, sendo igualmente trabalhadora”.
Jacinta, sua irmã, tinha o desejo que seu corpo fosse enterrado no terreno da Capela do Menino Deus. E assim foi feito.

Capítulo 4
Jacinta e suas companheiras de mudam para o Convento de Santa Teresa e a Capela do Menino Deus fica abandonada

Convento de Santa Teresa
Depois da morte de Francisca, chegaram mais moças para se juntar com Francisca e as demais que lá já estavam: Foram estas Inácia Catalina de Jesus, Isabel do Sacramento, Felipa de Santa Teresa, Maria da Encarnação, irmã do bispo de Coimbra, D. Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho; Ana do Sacramento, Ana de S. Francisco, Maria da Conceição, Maria do Calvário e Antônia de Jesus.
Tempos depois, em uma visita do então Bispo D. Frei Antonio do Desterro e do Governador Gomes Freire de Andrade na Capela do Menino Deus, presenciaram a enorme pobreza e humildade que viviam Jacinta e suas companheiras de retiro e desde então cuidaram em construir e fundar um Convento maior para que elas exercessem sua vocação, concedendo o prelado do uso do hábito de estamenha parda com capas de beata branca por causa do clima quente do Brasil.
Nessa época, a Capela contava com mais de dez mulheres perseverantes que celebravam os exercícios da religião como as festas de Natal e de Santa Teresa e com matinas que tinham a presença do Governador Gomes Freire.
Como o espaço já estava pequeno para Jacinta e suas companheiras realizarem com mais zelo suas virtudes religiosas, o Governador Gomes Freire se comprometeu em erguer um convento maior para elas.
Em 24 de junho de 1750 foi começada a construção do novo Convento que seria dedicado a Santa Teresa com a presença do Bispo, do Governador, do Senado da Câmara, de Jacinta e suas companheiras.
Um ano após o início da construção, em 1751, Jacinta e suas companheiras participaram e comungaram pela última vez na Capela do Menino Deus, pois logo em seguida foram para o novo Convento de Santa Teresa no então Morro do Desterro.
A partir daí ficou abandonada a Capelinha do Menino Deus., que na época ficava no caminho entre as Ruas dos Inválidos e do Lavradio. Via-se na frente da Capela um portão, que abria para um pátio e que passava por uma varanda até chegar na Capela. No seu interior via-se um único altar com a imagem do Menino Deus e no presbitério viam-se duas janelas de madeira que fechavam as antigas tribunas, aonde Jacinta e suas companheiras vinham orar.

Capítulo 5
A morte de Jacinta

Em 02 de outubro de 1768 morria Jacinta que teve seu corpo sepultado no Convento de Santa Teresa bem ao lado do túmulo do Governador Gomes Freire que morrera três anos antes. Jacinta nunca foi uma Carmelita descalça, porém foi a fundadora do Carmelo Brasileiro. Por causa de sua morte, Jacinta não viu seu sonho realizado de que ela e suas companheiras obtivessem o direito de usar seus hábitos sob a Regra de Santa Teresa. Tal direito só foi concedido a elas em 16 de junho de 1780 quando elas enfim receberam o direito da clausura canônica.
Em 23 de janeiro de 1781, as primeiras freiras professas de Santa Teresa receberam seus véus no Rio de Janeiro.
 O Bispo nomeou priora do Convento a Madre Maria da Encarnação, que substituiu Jacinta após sua morte, e que viveu até 12 de novembro de 1834.
Depois disso, o próprio povo deu ao Outeiro do Desterro o nome de Morro de Santa Teresa. A água do mar ia até o pé do morro. Tal morro expandiu-se com os anos e hoje é um enorme bairro que leva o nome da santa das carmelitas: Bairro de Santa Teresa.

Capítulo 6
Chafariz no Caminho do Matacavalos: a Fonte do Menino Deus

Em 1772, o senado da Câmara mandava construir, em nome do Vice-Rei Marquês do Lavradio, um chafariz que ficava na Chácara da Bica e bem ao lado da Capela do Menino Deus, no caminho do Matacavalos. Era também conhecido como a fonte do Menino Deus por ficar próxima a Capela de mesmo nome.
Encarregou-se da construção do Chafariz João Coelho Marinho, mestre pedreiro.
Sobre um mármore do pequeno chafariz foi talhada a seguinte inscrição:
CIVIS AQUAM BIBE: LAVRADI MARCHIO DONAT ILLE PATER PATRIAE. QUAE SITIS ERGO TIBI?
FLUMINENSIS – SENATUS 1772
Esta inscrição significa:
O SENADO CONVIDA O POVO A BEBER, POIS O MARQUÊS DO LAVRADIO, O PAI DA PÁTRIA, DÁ POR SUA CONTA A ÁGUA.
Em 5 de março de 1782, sendo inúmeras reclamações dos moradores sobre a escassez de água que vinha da fonte, começou um intenso conflito entre os proprietários do local de onde vinha a água e os encarregados de realizarem as obras. O chafariz então foi desativado e foi construído um novo chafariz próximo na própria Matacavalos e próximo a esquina da Rua André Cavalcanti em 1817.
O chafariz da Fonte do Menino Deus ainda chegou a ser reconstruído em 1868, porém em março de 1890, por iniciativa da Inspetoria Geral de Obras Públicas, o antigo chafariz foi demolido por se julgar inútil ao abastecimento de água da região.

Capítulo 7
A Capela do Menino Deus em ruínas

Após o abandono da Capela e ela está em ruínas foram retiradas dela a imagem do Menino Deus e algumas relíquias do tempo de Jacinta e foram levados para o Convento de Santa Teresa.
Entre os anos de 1877 e 1902 foram escritos alguns relatos da antiga Capela. Ela estando em ruínas acharam melhor destruí-la e construir uma outra com estilo neo-clássico tardio.
Depois da destruição, do antigo muro da frente do terreno que precedia a capela avarandada, ainda estava de pé uma parte, mas que seria também arrasado para vir um outro maior e com grades, provavelmente de cor de alumínio.
Tão curiosa e ingênua sua construção de 1742 foi abandonada e deixaram que ela se arruinasse. Não pensaram em nenhum momento mantê-la idêntica a quando foi construída. Tal Capela não primava por disciplina arquitetural, mas foi lá que se deu origem a um acontecimento de piedade cristã que jamais nos dará uma nova Capela, cuja fachada se achava em meio caminho. Talvez a Capela perdera naquele momento a sua qualidade fundamental de documento ou prova autêntica de seu próprio passado.
A nova Capela em execução pouco mais ficaria da antiga primitiva, a qual que por mais que estivesse arruinada, não seria impossível de refazê-la. Depois de concluída, a nova Capela teria janelas orgivais e outras linhas de arquitetura gótica. Durante as escavações para a construção da nova Capela, foram encontrados ossos humanos enterrados no local. Tais ossos foram cuidadosamente colocados em uma urna e novamente sepultados no terreno. Não se sabe de quem eram esses restos mortais e nem em que local foram enterrados novamente, mas há quem diga que seja de Francisca que morreu e foi sepultada em 1748 na Capela do Menino Deus.

Capítulo 8
Personalidades da antiguidade que frequentavam a Capela

Machado de Assis
Antes, porém de cair nesse estado de completo abandono e ruína, a Capela do Menino Deus foi muito frequentada. Ficava situada em território da freguesia de Santo Antônio dos Pobres. Frequentavam a capelinha as mais distintas famílias que habitavam as melhores chácaras da região e entovam cantos no mês mariano.
Cito abaixo, algumas dessas notáveis personalidades que freqüentavam a capelinha do Menino Deus.
Marquês de Olinda; ex-regente do império; Marquês de Sapucaí; Visconde de Jaguari; Barão do Lavradio; Conselheiro Ferreira França; Conselheiro Joaquim José de Sequeira, de renome como chefe de polícia que fora; o famoso cirurgião Cristóvão José dos Santos; Conselheiros Josino do Nascimento e Silva, Albino Barbosa, Paiva Teixeira, D. Francisco Baltasar da Silveira, Caminhoá e Bandeira de Melo; Dr. Luís de Castro, redator chefe do Jornal do Comércio; Barão do Rio Doce, testador da escola deste nome; Dr. Joaquim Caetano da Silva, grande erudito das questões de limites da Guiana Francesa; Barão de Bambuí, o folhetinista; Dr. França Júnior; D. Antonio de Saldanha da Gama; Dr. D. Francisco de Assis Mascarenhas; Senador Francisco José Furtado; Dr. Carlos Honório de Figueiredo; Dr. Fábio de Carvalho Reis; Comendador Cândido de Carvalho e Sousa,; Câmara Lima; João Diogo Hartley; Desembargador Luís Fortunato de Brito, advogado de nomeada; Marquês de Valença; Barão de Pereira Franco; Machado de Assis, grande escritor; entre muitos outros.


Diz a história que Machado de Assis ao sair de uma Missa de Natal na Capela do Menino Deus compôs um Soneto de Natal que transcrevo a seguir:


Um homem, era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno,
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga.


Quis transportar ao verso doce e ameno,
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.


Escolheu o soneto... A folfa branca,
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode o gesto seu.


E em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
"mudaria o Natal ou mudei eu?"

Capítulo 9
Reconstrução da Capela do Menino Deus

Menino Jesus
Depois de sua reconstrução feita pela Sociedade de São Vicente de Paulo com a autorização do Convento de Santa Teresa, em 06 de janeiro de 1925 saíram em procissão do convento até a nova Capela a imagem do Menino Deus, o cálice e os sinos da antiga Capela e outras relíquias do tempo de Jacinta e Francisca. Ao sair do convento a imagem do Menino Deus, as freiras entoaram cantos em seu louvor:

ADEUS SAGRADO MENINO,
REI DO NOSSO CORAÇÃO.
ADEUS MONARCA DIVINO,
SENHOR DE TODA CRIAÇÃO!

Em textos escritos em após sua reconstrução, a nova Capela é descrita dessa maneira: “Há um simples portão em um pátio de triste aspecto. No fim do portão há uma varanda que não é menos triste. Depois da varanda há a Capela de limitadíssimas proporções. Sobre o presbitério há dois antigos postigos e sobre o altar a imagem do Menino Deus. Do lado do Evangelho há uma porta baixa e estreita que dá entrada para a pequena e acanhada sacristia. A impressão é desagradável pela pobreza ou quase miséria que há naquele lugar. Além de haver um puro seio de orações, um teto histórico e recomendável de suaves recordações e por um passado cheio de místicas poesias”.
A Capela do Menino Deus parece condenada no passado por essa fatal indiferença e que nem lhe valeu o sentimento religioso que a deveria defender.
A Capela do Menino Deus nunca chegou a ser o jardim do Carmelo no Brasil. Porém foi nesta Capela que nasceu e foi acariciada, cultivada e fortalecida a idéia do primeiro Convento de Carmelitas Descalças no Brasil. Nesta Capela passaram oito anos Jacinta e Francisca em solidão completa.
Não se sabe o que sobrou da antiga Capela ou suas relíquias. Não temos esse fato gravado em nenhum lugar. A maioria do seu patrimônio sabe-se que é da época da reconstrução na década de 1920. Talvez tenhamos lembranças da época de Jacinta e Francisca enterradas neste terreno sagrado ou escondidas entre as paredes da nova Capela. Talvez nunca saibamos.

Capítulo 10
A Capela do Menino Deus em 2010

Capela em 2010
A Capela do Menino Deus atualmente é administrada pela Sociedade de São Vicente de Paulo, aliás deste a sua reconstrução.  Se considerarmos a primeira construção, a Capela é a mais antiga da Rua do Riachuelo. A Capela é vinculada à Paróquia de Santo Antônio dos Pobres e pertence à Segunda Forania do Vicariato Epicopal Urbano da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. A sua fachada é caracterizada pelo seu estilo neo clássico tardio com cores rosa e branca. No início da década de 1990 foi construído o prédio ao lado da Capela pertencente à SSVP. Abaixo da Capela, existe um salão onde há reuniões para diversos fins. Passando pelo primeiro portão, subimos uma pequena escada que leva a varanda da Capela de onde tem um boa visão da Rua do Riachuelo. Depois, passando pela grande porta principal toda de madeira entramos na Capela que tem um pequeno coro de madeira ao fundo. No chão vemos simples e belos azulejos. Quanto ao teto, uma tonalidade azul que parece o céu. As paredes são simplesmente branca com quatorze pequenos quadros que representam a via sacra. Há um presbitério pequeno com uma elevação e coberto por um carpete vermelho. Nas suas laterais há duas credências. O sacrário é tímido, mas de grande suntuosidade.  O altar é todo de madeira e dentro dele está a imagem do Senhor Morto. Ao lado esquerdo do altar está a Relíquia de São Vicente de Paulo, posta lá em 11 de fevereiro de 2007. Na relíquia há um pequeno quadro com um coração pintado com o sangue do próprio São Vicente de Paulo. Do lado direito do altar há uma pequena porta que leva a Sacristia e ao lugar onde o Sacerdote se prepara para as celebrações. Hoje a Capela possui ar condicionado que ajuda a melhorar o forte calor do verão carioca, além de duas câmeras de vigilância que a monitoram o tempo todo.  Nas paredes, ao lado esquerdo de quem entra, as imagens de São Sebastião, São José, São Vicente de Paulo e Santo Antônio dos Pobres. Nos lados do presbitério a imagem de Nossa Senhora da Imaculada Conceição e do Sagrado Coração de Jesus. E na parede, ao lado direito de quem entra, as imagens de Nossa Senhora de Fátima e Santa Teresa. No altar principal a imagem de Nossa Senhora Aparecida e logo atrás a imagem do Menino Deus segurando uma circunferência tendo a cruz em seu topo e a outra mão em posição de bênção. Acredita-se ser a mesma imagem que Jacinta carregava para dentro da Chácara da Bica em 1742.

Bibliografia

·        O Rio de Janeio: sua historia, monumentos, homens notáveis, usos e curiosidades – Autor: Dr. Moreira de Azevedo – Volume 1 – 1877
·        Terra Carioca – Fontes e Chafarizes – Antor: M. Correa – Volume 4 – 1939
·        Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro – Autor: Joaquim Manuel de Macedo – Edições do Senado Federal – Volume 42 – 2005
·         Revista do IHGB – nº 346 – 1985
·        Pantheon Fluminese – Autor: Lery Santos – 1880
·        Chronica Geral e Minunciosa do Imperio do Brzil – Autor: Dr. Mello Moraes – 1879
·        Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – nº 10 – 1946

Pesquisado por: Ariel Carvalho
Pascom Capela do Menino Deus

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Escreva no quadro ABAIXO seu comentário sobre esta postagem!

Translate